terça-feira, 1 de maio de 2012
poesia espremida pela falta de tempo
resumo de tudo que me acontece
quando o cansaço me desaparece
e a vida parece me engolir
quando tudo que vejo me dorme
e em meu peito incha vontade enorme
de hora em hora querer sumir
se não dou conta dessa demanda
pelo caminho comigo anda
a poesia que não separo
a poesia anota faltas e excessos
das coisas tantas que eu não meço
e que sempre me deparo
a poesia me vem ou não
sempre que piso no chão
ou me perco no espaço
a poesia me não ou me vem
sempre que vou e me vejo além
fora do meu compasso
- Débora Paixão para o amigo Renato Konrath
quinta-feira, 26 de abril de 2012
poesia XVII
é quando a janela fecha
que o vento faz falta
e quando bate no cabelo
que se faz festa
é a ausência que se nota
à menor marca sentida
quando mais fundo toca
na pele morta ferida
algum encanto se mostra
sempre que algo intimida
no mundo que há de novo?
não de novo, o novo!
quando o sempre resgata o velho
notas, toques, perfumes
o outro, o mesmo,
o nada,
tudo tende ao eterno.
- Débora Paixão
que o vento faz falta
e quando bate no cabelo
que se faz festa
é a ausência que se nota
à menor marca sentida
quando mais fundo toca
na pele morta ferida
algum encanto se mostra
sempre que algo intimida
no mundo que há de novo?
não de novo, o novo!
quando o sempre resgata o velho
notas, toques, perfumes
o outro, o mesmo,
o nada,
tudo tende ao eterno.
- Débora Paixão
quinta-feira, 1 de março de 2012
Não dá pra não ser

Quando eu passar por aquela porta, pode ser que eu me perca. Pode ser que eu me encontre. Pode ser que alguém me encontre ou me perca. Pode ser que eu peça ajuda, ou alguém me peça. Pode ser que algo me impeça. Quando eu passar por aquela porta, passarei sem pressa. Passarei a olhar as coisas que passam. E que ficam. E sentirei falta do que não encontrar no caminho. Pode ser que eu volte. Pode ser que não. Pode ser que seja pra sempre, pode ser é tudo que poderá ser. Pode ser que eu não saiba o que fazer. Pode ser que alguém venha me dizer. Pode ser que eu nunca saiba e pode ser que eu descubra o que sempre soube. Pode ser que jamais saiba o que houve. Pode ser que eu caia e não levante. Pode ser que eu pare na primeira esquina. Pode ser que eu siga adiante. Pode ser que eu ouça. Pode ser que eu veja. Pode ser que aja. Pode ser que seja...
- Débora Paixão
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Estopa
Guardei em mim todo o amor que você não me deu.
Guardei em mim todas as palavras que você não disse.
Guardei numa caixinha as flores e as centenas de cartas que você não me enviou.
Guardei em minha memória a cena daquele encontro que quase aconteceu naquele dia que nunca chegou.
Guardei o tom desafinado da sua voz cantando aquela música que você até disse que cantaria, mas não cantou.
Guardei em meu coração a forma apaixonada como você nunca me olhou, fantasiando um romance que nunca aconteceu fora da minha imaginação.
De seda fiz-me trapo, feito saco de estopa, para guardar todas as feridas de lembranças doces que a partir da fome não tiveram outra saída senão transformarem-se em espinhos.
Guardei para um dia quiçá mostrar-te quem poderia ter sido, onde poderia ter chegado, não fosse seu hábito de comentar como são claros os meus olhos, ao invés de olhar o que estavam por trás deles...
- Débora Paixão
(Provavelmente esse texto foi feito em 2008...rs Achei-o recentemente durante a reforma do meu quarto, no meio de uma caixa de livros)
sábado, 28 de janeiro de 2012
II
Teve a chance e não usaste
Mais de uma e nem notaste
Foi-se o tempo e ele não volta
Foi-se tanto pelo ralo
Por tantos buracos, menos portas
De tão perdidas, coitadas
Mil oportunidades se foram
Ao menos uma fosse usada
Outras mil delas voltariam
Se batessem noutras portas
Outros tantos me teriam
E como disse não usaste
Logo, a porta se fechara
Mesmo que bata forte
Mesmo que bata na cara
Estará batendo sozinho
Quando a gente se cansa
Bate na porta do vizinho ...
- Débora Paixão
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
+
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Cuidado! (mas nem tanto)

Por parecer extremamente desconexa e profundamente sem sentido, aviso: nada visto da superfície pode alcançar o fundo.
Se minhas palavras são cobertas por uma camada fosca e escura é porque a essência de todas essas letras é sensível a luz; e nem por isso quer dizer que não brilhem ou que esta sensibilidade não exista.
Não se deixem enganar pelas entrelinhas, que as pessoas se preocupam muito, ao criar mistérios, em depositá-los neste locus. A verdadeira face está no que é explícito, no que é dado pouca credibilidade.
Temo que pareça contraditória e gozo de pensar em sê-lo. Que confusão não nos causa certa dose de entendimento?
- Débora Paixão
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Vivo a flor da pele
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