peço àquilo que foi minha cura
que seja e que dure
que me cure daquilo que não cessa
que me lança e me arremessa
contra a lança que me fere
peço que me leve e me esqueça
onde posso te encontrar
onde estou vejo o corpo cair
sentindo que vai flutuar
onde vivo vejo raízes
regadas por uma chuva
que cai fora do lugar
- Débora Paixão
domingo, 21 de julho de 2013
terça-feira, 9 de julho de 2013
Moda
Tenho me sentido tão brega, mas não brega cafona, do tipo romântica brega, que tem aquela felicidade brega de personagens caricatos de novela, mas sincera. Ando brega e piegas, na base de ditos populares e hits que marcam épocas. Ando brega de sair girando com os braços abertos por aí, dentro da minha cabeça. Deus, que breguice tamanha incapaz de me amedrontar! Tão e tão somente eficaz na arte de fazer deliciar-me com simplesmente nada demais.
Ando tão brega, mas tão... que nunca me senti tão bem, nem tão linda, nem tão livre!
- Débora Paixão
domingo, 7 de julho de 2013
Cores flores
Tenho me sentido tão bem que as cores já desbotadas do meu rosto decidiram colorir o meu sorriso. Meu semblante anda tão florido e minha alma tão leve e à toa, que as pessoas são incapazes de passar por mim sem retribuir o sorriso que meus olhos lhes ofertam.
Até meu cabeleireiro notou minhas cores, meus tons e minha melodia. "Você está apaixonada" - disse ele como quem lê a mão. E então eu pude responder, pela primeira vez na vida, com toda sinceridade que até então desconhecia: "Ando apaixonada sim, mas pela vida, em si... e só".
E aprendi que isso basta!
- Débora Paixão
sábado, 29 de junho de 2013
Moça do Chapéu
Olhava as coisas a sua volta
Olhava e via tanta vida
Que não dava conta de ver
E cansada se escondia
A moça do chapéu com lenço
Ainda não tinha chapéu
E o Sol às vezes lhe ardia
Às vezes tanto lhe encantava
Que ela cansada, parava
E a admirar até suspirava
Logo depois se escondia
A moça andava e falava
Contava, cantava, rezava
Mas não olhava para dentro
E lá também não tocava
Era lá que ela se escondia
Um dia ganhou um chapéu
E pode sair sob o Sol
Pode ver coisas no céu
E aquilo não mais doía
A moça amarrou um lenço
Pois assim se coloria
E pode sair de casa
E pode sair de dentro
E desprender-se como as folhas
Que voam com o sopro do vento...
(dedicado em agradecimento à J. com carinho)
Débora Paixão
quarta-feira, 12 de junho de 2013
A cura
Ele me arranca facilmente sorrisos distraídos, mas alguma coisa não confere. E quando sinto a imensidão que se abre entre os nossos corpos, mesmo quando colados, viajo para o alto onde posso nos ver de cima e constatar que não é apenas estético, apesar de sermos tão maravilhosamente bonitos. É verdade que sua voz e seus agrados me fazem bem como há muito eu não encontrava, mas não preenche. É um bem que me vem e passa. Corrosivamente. E esse bem que me toma, no final das contas, não tem me enchido nada além do saco.
- Débora Paixão.
- Débora Paixão.
domingo, 19 de maio de 2013
Dor
a dor que corta
é a que tira
que aborta
os tons
as notas
a própria poesia
a dor que tenho
não tem nome
nem cara
nem cura
nem vida
é só uma dor morta
que pesa
não pensa
mas pena
inesquecida
- Débora Paixão
é a que tira
que aborta
os tons
as notas
a própria poesia
a dor que tenho
não tem nome
nem cara
nem cura
nem vida
é só uma dor morta
que pesa
não pensa
mas pena
inesquecida
- Débora Paixão
domingo, 5 de maio de 2013
Pastel de lenha
Certa vez, quando eu era criança, comentei que queria comer pastel e vó é assim: não pode ouvir essas coisas. Já foi gritando: "Maria, apanha lenha para fazer pastel". Eu, no auge da minha inocência e da minha fantástica imaginação fértil, pensando: "Onde que a vó coloca madeira no pastel?". Não perguntei e esqueci de observar o que faria com aquele arsenal. Então os pastéis ficaram prontos, e enquanto eu me refastelava de tanto comer, sentia o cheiro do fogão a lenha que respondia o meu enigma. Mas decidi, ali cedinho na vida, que o enigma não estava resolvido e que os pastéis da vó eram tão bons, pois neles havia lenha...
Para vó Isaura, com todo o meu amor. ♥
- Débora Paixão (Débinha)
quarta-feira, 1 de maio de 2013
Para falar das coisas que aprendi
Pensei em escrever um texto das coisas que aprendi na vida, e tentei listá-las para me organizar. E foi aí que aconteceu uma coisa engraçada: todas as coisas que colocava na lista, antes mesmo de passar para a próxima, decidi que não havia aprendido tão bem assim. É isso: de todas as coisas que se pode aprender na vida, a mais dura de todas elas, é certamente reconhecer que nunca se aprende o bastante.
Nenhum assunto é absolutamente dominado pelo conhecimento de alguém. Por mais que se viva, se erre e se aprenda, nunca se erra ou se aprende o bastante, e daí vem a impressão de que uma situação, ou até mesmo uma vida inteira, não foi vivida sequer o suficiente.
Quantas coisas na vida não foram o bastante? Muitas podem ter sido o suficiente para que entendamos como funcionam, mas nunca o suficiente para aceitarmos que não são como queremos. E queremos mais que o suficiente, pois queremos sempre bastante. E não deveria apenas nos bastar o que cabe num instante?
Tendemos sempre a levar as coisas adiante, e de repente, o corpo vai cansando mais do que se espera pela idade.
Quanto tempo leva para amadurecermos a ideia de que as coisas, todas, tem início, meio e fim? E que enfim, o tempo de uso está no estalo que a nossa mente sempre percebe e que, na maioria das vezes, o coração é que mente fingindo não perceber e passando a bater mais forte, para que não possamos ouvir mais nada.
Mas nada além do que já não se saiba, das coisas que aprendi na vida, é que sendo ela de apenas uma pessoa não é capaz de mandar recado a terceiros e que as coisas estão para muito além das dualidades.
Toda relação dual, entre o sim e o não, o bem e o mal, o certo e o errado, é na verdade uma coisa só. E por serem todas uma (o que não quer dizer que sejam as mesmas), é que a vida é uma só. E só.
- Débora Paixão
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