segunda-feira, 31 de maio de 2010

.

voa ALTO
voe
para ver
o que te espera
cá embaixo
só restam
ossos
debaixo
da terra

(Débora Paixão)

sábado, 15 de maio de 2010

Impasse

De chegar tão longe
Não se sabe ao certo
De onde é que se saiu
Sabe ainda em dúvida
Que não se chegou completo
E que parte já se partiu
Se parte querendo ficar
É melhor então nem ir
Se fica querendo partir
O melhor é que antes vá
Se volta depois de ido
Era melhor que permanecesse
Mas se não tivesse partido
Talvez ficar não quisesse
Só sabe o que quer exato
Depois que o erro acontece.

Débora Paixão

quarta-feira, 5 de maio de 2010

?

O que pensa enquanto insiste?
*
No que pensa quando desiste?
*
Até que ponto você resiste?

Já parou pra ver se isso existe?

Débora Paixão

quarta-feira, 21 de abril de 2010

o que mais se quer

o que mais se quer
não se pode aceitar
aceita-se a tudo então
que não se pode evitar
o que não pode parecer
é tudo aquilo que é
simples pareça o ser
pra não ser o que se quer

Débora Paixão

segunda-feira, 19 de abril de 2010

+ haicais

"com certa estranheza
sua estranha beleza
me leva a loucura"

"tempo de fantasia
de mãos dadas
só amor e alegria"

"a nuvem se enche
a chuva se joga
a janela se fecha e chora"

Débora Paixão

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Vazia até a tampa.

Tem dia que o mundo gira tão devagarinho, que parece parado. Tudo cala. Só se ouve a consciência dizer tudo aquilo que não é hora de dizer. Surge então o tremendo desejo de se ter uma mente surda e muda. Nessas horas são escritos os mais belos textos, as mais belas palavras. Elas vêm de mãos dadas, sorrindo e brincando de roda. Elas vêm daquele cantinho escuro que você evita contato. Daquele buraquinho por onde sai a dor. Quanto maior a dor, maior vai ficando o buraco, até criar um abismo. E as palavras dançantes ficam a bailar dentro dele e não se desgrudam. Cada uma traz um pouquinho de culpa, de tristeza, de ódio, de inveja, de mágoa, de amargo... E nos olhos de todas elas, há sempre uma lágrima prestes a cair, mas elas sempre estão sorrindo, apesar de tudo. Sorriem porque afinal a dança fica bonita. E é bonita porque é triste. Toda beleza é um pouco triste. Há muito que se pensar enquanto se esvazia, mas o desejo é que se esvaziem os pensamentos e que não reste nada. Ser corpo deveria bastar. Para muitos ser corpo basta. A mim ainda restam outras coisas e a maioria fica bem guardada, esperando o momento oportuno de se mostrar. Momentos como esse, talvez ... e o talvez sempre vem tarde, quase foi a última palavra, mas esta quer sempre ser a última, a palavra.

Débora Paixão

sábado, 3 de abril de 2010

O que há?

há quem viva a vida
de maneira despropositada
como quem não sabe
como quem não quer
há tanto que querer
que alguns nem acreditam
no quão doce a vida pode ser
e acaba por assim dizer nem sendo
e quanto amor poderia crescer,
que antes de nascer acabou morrendo?

Débora Paixão

domingo, 28 de março de 2010

subida súbita ...

Subida súbita
De grau em grau,
Degrau
Descida
Decida!
Uma imagem
Do seu olhar em mim
Miragem
Me faz delirar
Viagem ... imagina
A imaginação
Me fere, confere
O movimento
Sinopse de sentimento
No vento inerte
Inverte
E sinta
O sintoma
Que em si
Se assoma
e se liberte.
Débora Paixão