sábado, 29 de outubro de 2011

a falha da persiana




a natureza que me resta
é tudo que vejo agora
além da fresta


Débora Paixão -

sábado, 8 de outubro de 2011

...



Eu me conheço na medida em que me testo, que me provo, que me experimento. Se me ponho a prova do que desconheço, é nessa experiência que me torno a prova de tenho que tudo aquilo que mereço.

- Débora Paixão

sábado, 1 de outubro de 2011

todo chão que o pé pisa...















todo chão que o pé pisa
todo mar que é de brisa
de poesia precisa

tudo que a mão alcança
tudo que no vento dança
no meu verso manda

tudo que a lua olha
tudo que a chuva molha
meu poema adora

- Débora Paixão


segunda-feira, 19 de setembro de 2011

somo tanto ...

somo tanto
o que sou
com o que fui
que meu saber
flui

sumo aos poucos
com o que seria
e assumo o risco
de ser quem sabe
o que queria

sou a soma
e o sumiço
das coisas todas
que ficaram
e que foram

mais que antes
menos que agora
sou aquela
que não vê data
nem espaço
nem hora


sou alguém
que vive apesar
e com o pouco
que se tem

sou algo além
quando sigo
sem esperar
pelo que me vem

- Débora Paixão


quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Vou deixando...

Vou deixando
Que meu anjo está olhando
Lá de cima, nas alturas
A pequeneza no caminho
Vou andando vagarinho
Que lá de cima o meu anjo
Não me deixa ir sozinho

Vou deixando
Que o vento vai levando
Águas que rolaram,
Continuam por aí rolando
E eu vou deixando

Vou deixando no caminho
Sementinhas de bom grado
Do bem e de valor
Vou deixando as sementes
Para males mal curados
Para pesos não tirados
A cura para toda dor

Das sementes vão brotar
Os amores que não cresceram
Os dizeres que não disseram
E a paz que não tiveram

Vou deixando as sementes
E com elas, os seus frutos
Para quem quiser um dia
Tirar proveito disso tudo
Sequer eu saberia a data
Em que estivesse maduro
Mas do verde que se sente
O sabor azedo e profundo
Faz lembrar o gosto de açúcar
Que terá o nosso mundo

- Débora Paixão

terça-feira, 30 de agosto de 2011

3ª



Naquela noite eu fui ao seu encontro, pronta e despreparada. Era a união de todos os meus conflitos mais internos e mais extremos. Eu me sentia bem, por estar ao seu lado, e triste por pensar, por sentir, que seria o último encontro. Eu quis dizer, quis fazer, quis tanto e pude apenas algumas coisas. O meu limite era antecipado. Eu via o mar, mas mantive a água no joelho. Este mar ainda me inunda; está para me afogar, mas forçosamente, (graças a Deus e a teimosia da própria vida) estou aprendendo a nadar e prestes a alcançar o barco.

- Débora Paixão

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Histórico



Não nos fizemos bem
E por fim fizemos as pazes
De malas prontas e amor atrasado
Nos fizemos do que tínhamos
Do pouco aumentado
E do nada que não queríamos


- Débora Paixão

domingo, 24 de julho de 2011

o meu amor se foi



o meu amor se foi
mas deixou lembrança
deixou seu cheiro em meu cabelo
e sua marca no travesseiro
deixou sua presença no ar
o meu amor foi ao banheiro
fingi dormir enquanto ia
e vi a imagem no espelho
que água levou na pia
o meu amor se foi
mas ficou comigo ainda
no meu sorriso teimoso
nas canções que canto
enquanto distraída me levanto
por sentir que o meu amor
que o meu amor volta
e vai voltar com outro cheiro
outra cor, outra forma, outros ares
meu amor quando volta
não volta o mesmo
na verdade não volta nunca
porque ele nunca se vai
o meu amor é o que está a minha volta
o que me atrai e me distrai

- Débora Paixão