quinta-feira, 1 de março de 2012

Não dá pra não ser




Quando eu passar por aquela porta, pode ser que eu me perca. Pode ser que eu me encontre. Pode ser que alguém me encontre ou me perca. Pode ser que eu peça ajuda, ou alguém me peça. Pode ser que algo me impeça. Quando eu passar por aquela porta, passarei sem pressa. Passarei a olhar as coisas que passam. E que ficam. E sentirei falta do que não encontrar no caminho. Pode ser que eu volte. Pode ser que não. Pode ser que seja pra sempre, pode ser é tudo que poderá ser. Pode ser que eu não saiba o que fazer. Pode ser que alguém venha me dizer. Pode ser que eu nunca saiba e pode ser que eu descubra o que sempre soube. Pode ser que jamais saiba o que houve. Pode ser que eu caia e não levante. Pode ser que eu pare na primeira esquina. Pode ser que eu siga adiante. Pode ser que eu ouça. Pode ser que eu veja. Pode ser que aja. Pode ser que seja...

- Débora Paixão

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Estopa

Guardei em mim todo o amor que você não me deu.
Guardei em mim todas as palavras que você não disse.
Guardei numa caixinha as flores e as centenas de cartas que você não me enviou.
Guardei em minha memória a cena daquele encontro que quase aconteceu naquele dia que nunca chegou.
Guardei o tom desafinado da sua voz cantando aquela música que você até disse que cantaria, mas não cantou.
Guardei em meu coração a forma apaixonada como você nunca me olhou, fantasiando um romance que nunca aconteceu fora da minha imaginação.
De seda fiz-me trapo, feito saco de estopa, para guardar todas as feridas de lembranças doces que a partir da fome não tiveram outra saída senão transformarem-se em espinhos.
Guardei para um dia quiçá mostrar-te quem poderia ter sido, onde poderia ter chegado, não fosse seu hábito de comentar como são claros os meus olhos, ao invés de olhar o que estavam por trás deles...

- Débora Paixão

(Provavelmente esse texto foi feito em 2008...rs Achei-o recentemente durante a reforma do meu quarto, no meio de uma caixa de livros)

sábado, 28 de janeiro de 2012

II

Teve a chance e não usaste
Mais de uma e nem notaste
Foi-se o tempo e ele não volta
Foi-se tanto pelo ralo
Por tantos buracos, menos portas
De tão perdidas, coitadas
Mil oportunidades se foram
Ao menos uma fosse usada
Outras mil delas voltariam
Se batessem noutras portas
Outros tantos me teriam
E como disse não usaste
Logo, a porta se fechara
Mesmo que bata forte
Mesmo que bata na cara
Estará batendo sozinho
Quando a gente se cansa
Bate na porta do vizinho ...

- Débora Paixão

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

+



"calor da tarde
toda lembrança
que o Sol toca, arde"

"pesou na alma
o coração na mão
e sobra palma"

"acorde e reflita
o Sol traz um novo dia
para aquele que acredita"

- Débora Paixão

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Cuidado! (mas nem tanto)


Por parecer extremamente desconexa e profundamente sem sentido, aviso: nada visto da superfície pode alcançar o fundo.
Se minhas palavras são cobertas por uma camada fosca e escura é porque a essência de todas essas letras é sensível a luz; e nem por isso quer dizer que não brilhem ou que esta sensibilidade não exista.
Não se deixem enganar pelas entrelinhas, que as pessoas se preocupam muito, ao criar mistérios, em depositá-los neste locus. A verdadeira face está no que é explícito, no que é dado pouca credibilidade.
Temo que pareça contraditória e gozo de pensar em sê-lo. Que confusão não nos causa certa dose de entendimento?


- Débora Paixão

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Vivo a flor da pele



Vivo a flor da pele
Com pele-pétala
E pelos-pena
Que dançam fácil
No vento da arte

Sou sensibilidade
Por toda parte
Espinho em forma de flor
Que não espeta
O outro nem ninguém

Respirando poesia
No que for e onde vou
Sendo o pó que a terra ergue
Enquanto as nuvens
Vão e vem...

- Débora Paixão

domingo, 27 de novembro de 2011

um gosto de sábado na boca...



um gosto de sábado na boca
em plena segunda-feira
a sensação de estar submersa
estando próxima a beira
coisas que não se entendem
por mais que se queira
são as coisas que te defendem
todas que me ignoram
as minhas razões se perdem
pois suas loucuras adoram
fazer o infazível fazes bem
a torto e a direito
melhor que ninguém
és meu presente imperfeito
que minha vida mantém
és meu juízo desfeito
que o meu corpo retém
és a impressão doce
do meu lado que foi salgado
antes quisera fosse
o que pudera ser largado
és minha segunda-feira
com gosto na boca de sábado...

- Débora Paixão