sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

estou tão pouco

Estou tão pouco
Que sou já menos
Da metade que era


Me resta saber
Das sobras, se voam
Noutras atmosferas

(Débora Paixão)

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Soneto Desengasgado

De tanto querer que seja, a beleza
O prato mais caro posto à mesa
Enoja-me de pensar-te, mas penso
Tornando-me peso no ar suspenso.

Do peso que tem o pesar dos dias
Em dores, meus ombros fadigam
E vaga no espaço das teorias
Tais valores que me castigam

E a polpa que não te interessas
É o que restará quando secar a casca
Desta polpa que não lhe poupei

Não terás sequer uma lasca.
Dos assuntos inacabados, cansei
Deixarei-os jogados às traças.

(Débora Paixão)

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Antes que eu me esqueça ...

Antes que eu me esqueça
Me desmereça
Mas seja amigo, sincero
Me obedeça
Ao fazer me espere
Me reconheça
Entenda, não desespere
Antes de aparecer
Se esqueça
Dos erros, mentiras
E cresça!
Só depois de esvaziar
Reapareça
Ao deparar com a pureza
Floresça!
Então beije dos pés
À cabeça
E fique até que amanheça
Para que o meu amor
Em ti, aconteça
E que seja eterna manhã
Para que ele não adormeça.

(Débora Paixão)

domingo, 5 de dezembro de 2010

Amizade
















"Amizade é coisa egoísta,
Pois o outro está em nós
E o bem é o querer de sempre.
Pensar em si é pensá-lo
É fazê-lo sempre presente.

Sobra assunto, faltam palavras
A amizade preenche as lacunas
É estado constante, é presença
Resumo e observações
Amizade é permanência.

É tarde junto em silêncio
Sentados no chão e mais nada
Amizade é além da fala
Se compreende de boca fechada
Nos olhos de quem se cala."

(Débora Paixão)

terça-feira, 30 de novembro de 2010

ando desfazendo ...



ando desfazendo
mais que construindo
mas vou seguindo
mudando a rota
por parvoíce
ou por destino.

(Débora Paixão)

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

I

Por mil vezes me deixaste
Entre pouco mais de mil mãos
Mil vezes te esperei
E de espera, febre e sede
Longos dias, foi que tive
Por mil vezes me detive
Mil vezes não me teve
Poderia ter me tido
Tantas vezes e não fizeste
Me teria até mil vezes
Se ao menos uma viesse

(Débora Paixão)

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Só um dia

um dia eu vou querer
viver um amor desses
com gosto de frio na barriga
desses que os olhos se fecham
que não se reclama

um dia eu sei que vou querer
tocar nesta campanhia
e saber que serei recebida
por alguém que já me esperava
com carinhos e beijos

um dia talvez eu queira
sentar com alguém na varanda
e respirar só pela poesia
para entender o que os poetas
tanto escrevem e eu tanto leio

um dia hei de querer isso
mas agora, eu quero outras coisas
esse amor de contos e tantos
eu deixo pelos cantos
para outros... (por enquanto)

(Débora Paixão)

sábado, 13 de novembro de 2010

A 1ª Estrela

"Primeira estrela que eu vejo
Realize o que eu desejo"

Desejo que meu amado
Sinta o mesmo que sinto
Mas que ao menos ele
Sinta-se realizado

Quero também que me veja
Do mesmo modo como o vejo
Que sua vontade supere
A imensidão do meu desejo

Que ele possa me sentir
Assim, tão certo e tão forte
Como eu posso senti-lo
Tão presente e tão certo

E que o brilho das estrelas-irmãs
Que contrastam com a noite
Iluminem o escuro do meu coração
Que no momento bate estrelado
Com uma plaquinha de ocupado
Sonhando um amor em vão

(Débora Paixão)


Nota: Poema escrito há quase uma década e esquecido, relembrado ao retomar uma caixinha de recordações. Editado em algumas partes, com a idéia original mantida intacta.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Faixa 12 - Artista Desconhecido

Ela pede um pouco de atenção
E às vezes chama
Ele não se preocupa muito
Ele toca violão e canta
Ela desafina do outro lado
Mas não o deixa ouvir
Ele passará a vida a escrever
Mas no momento é ela quem escreve
Ele pede um cadim, um tiquim
Para a possessiva, é tudo "meu"
Ela gosta de ensaiar a cena
Ele gosta de improviso
O espetáculo não tem data
Mas eles não se importam tanto
Ele liga vez ou outra
(mas as mensagens dela ele nunca responde)
Ultimamente ele deu para elogiá-la
Mas isso não a agrada muito
Ele vive de mau-humor
Mas tudo bem, ela é chata
Eles até se gostam
Com tudo isso e apesar
Vocês até diriam que muito
Mas o quanto é algo a pensar

(Débora Paixão)

sábado, 30 de outubro de 2010

ao quadrado

já não insisto
se o saber é vão
desisto

é difícil, mas
se palavra é tudo
resisto

(Débora Paixão)

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

venha me deixar

venha me deixar
amor, antes de partir
nem que seja para despir
ou despedir, e peço
que deixe-se um pouco
um pouco em mim
e que de mim leve
os restos, as sobras
o que não quero
se há de voltar um dia
sorria, sem amarelos
de escarlate pintarei
os dias cinzas
enquanto espero


(Débora Paixão)

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

só precisava de um título, animal

-não
-é japonês
-não gostei dele
-de olho verde
-nossa, super pegável hein
AhAhuAAHUAHUAHU

-eu peguei ¬¬
-nossa
bagulho estranho
japones de olho verde
-kkkkkkkkkkkkkkkkkk
-AHUAHUAHUAHUAHU
-mas ele é bonito
-como assim "ele é bonito" ?!
nao é vc a senhora profunda q nao ve blz externa nas pessoas?

-eu vejo sim
não falei que isso é o mais importante
disse só que ele é bonito
vc disse: estranho, eu disse: bonito
-capitalista!
-filhodaputa! :-O
-nossa
minha mae só se prostitui pra pagar minha faculdade
-foda-se
vc é um bastardo vagabundo com idade para se virar
e dar o rabico se quiser
-nossa
eu só dou o rabico pra pagar minha faculdade

-ai eu vou salvar essa conversa
e postar no meu blog

-nossa
vc só salva conversas e posta no seu blog pra pagar sua faculdade...
-se eu ganhasse dinheiro para isso ..
se minha faculdade reconhecesse meus esforços ...
e meu talento
aaah, que bom seria viver

-tem gente q pagaria pelos seus talentos
e caro
-capitalista!
-filhadaputa! :-O


(@marcelsanhez e @debpaixao)

domingo, 17 de outubro de 2010

Minha poesia

A poesia é o que me sustenta
É tudo que me resta
A minha poesia não presta
E mesmo que viva na seca
Enquanto houver poesia
Haverá vida
Até no meio das pedras
Minhas letras serão floridas
(Débora Paixão)

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

haicais

"lágrima caindo
tudo evaporando
eu diluindo"

"a mim, obrigada!
tudo em tanto
e você de nada"
"erva-doce, ameaça
na minha vida
é quase fumaça"

"como quer que seja?
tome o sorvete
eu como a cereja"



(por Débora Paixão)

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Liberdade



by Steven Greaves, in www.nationalgeographic.com
Liberdade, que tantos lutam para conseguir; eu tento, mas tenho apanhado tanto...
Utópica liberdade, se te fizeram palavra foi para que pudesse existir.
E se existe, mostre-se, livre e cheia de graça para que acreditemos.
Ah, liberdade! Se tiver preço, eu pago; contigo seria meu único trato.
Liberdade, liberdade, de tão poética chega a parecer verdade...
(Débora Paixão)

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Meu Amor Passarinho



Pousa em meu ombro
e canta baixinho,
Notas graves e agudas,
Amor passarinho.
Dois bicudos não se beijam,
mas eu sou outro bichinho.
Venha cantar para mim,
Amor passarinho.
Como sempre, bem calminho,
que meu caminho é no chão,
mas o seu é livre e sozinho.
Passarinho é mesmo bonito
quando voa no céu azulinho.
Se quiseres voltar um dia,
para cantar no meu ouvidinho,
hei de esperar-te sorrindo,
Meu amor passarinho...


(Débora Paixão)

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Busque-se

Você já parou para pensar em quanto tempo a vida passa? Esqueça o relógio, calendário. Pergunto sobre o seu tempo. Saberia responder? E enquanto a vida passa o que acontece? Respondo: morre-se. Se mata. Mata o tempo. Tudo. Estamos morrendo, está é a verdade. Todos. A todo tempo. E o tempo não necessariamente existe. Tudo extremamente relativo beira o inexistente. E quantas coisas são? Relativas ...
E por saber que está morrendo agora, ainda mais que antes, pois antes passou e estava vivo, o que você faria diferente? O que você diria? Você não pode mudar o mundo. Como não? O mundo é seu, é você. Você é ele. Você o faz, ele te constrói. Você pode mudar o seu mundo quantas vezes quiser. É só falar diferente, ouvir de outra maneira, ver com outros olhos e pronto. Você tem um mundo novo e ainda seu. Comece a mudar e tudo acompanha. Ah, mas não me venha com auto-ajuda. Não! A vida não segue regras. Não se diz: seja assim! Se quiser não seja. Não ser talvez seja mais seu do que tentar ser o tempo todo. Cada um tem uma coisa própria, que por sua vez chama existência, que dela nasce algo tão próprio quanto ela mesma, chamada essência. O gosto mais puro é o que a gente tem que buscar.
Ei, não é por saber que está morrendo que precisa aceitar a tudo, pois ainda que saiba isso, não se sabe muito. Você sabe quando finda a vida? Poderia saber, mas não queira. Queira ir morrendo no tempo. Morrendo feliz, aos poucos. A gente sabe que a felicidade existe enquanto sente, mas não é por não sentir que ela passa a ser inexistente. A morte, ao invés de tentar entendê-la, que é o que mais se aproxima de saber, questione a vida. Seu sentido. Sua existência. Se encontrar algo, encontrará a si e se saberá ao menos. A tal essência. Mas não tome qualquer conhecimento que seja como absoluto, pois muda. Passa. Voa. Não desista ainda. Caminhe para a sua morte como quem carrega no colo o tesouro da vida, sem saber nada além de si. Mas se busque. Busque a si. Sempre! Ou só enquanto o sempre estiver no porvir...



(Débora Paixão)

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Versos a um desconhecido

Quero além de saber, conhecer e descobrir;
Quem é aquele enfermo, o Desconhecido?
O que teria Cido a me dizer?

Quero entender o balbucio dos lábios
Quando as palavras se atropelam
Por falta de voz, ou coragem (?)

Olhos que escondem uma história,
Uma vida que esconde experiência
Que grita em silencio na boca muda.

Olhos que entregam dores e desespero
De esperar não se sabe o quê nem quanto
E talvez nem sequer o pra quê da espera.

Olhos que me retribuem sorrisos
Que os ingratos lábios não podem dar;
Olhos ridos como estrelas.

Olhos que choram suas lágrimas secas
Que não descem, só ofuscam a realidade
Que tem se posto aversiva ao próprio ser

Como pode um estranho nos fazer tão gente
E impotente, por parecer que é menos,
Sendo que pode ser mais que imaginamos?

É mais que carne, alcance de vista, fato
Transcende as barreiras da minha limitação
E traz o inquieto hábito do desassossego.

Cido, com cara de Bené ou Francisco
Que o nome pouco lhe importa diante a fé
Ajudar com o pouco que posso, preciso.

Que não desista da liberdade ilusória
Este leito não prende sua mente junto a ele
Ela o leva onde as pernas não podem levar.

Os olhos falantes e a boca muda
Mostram mais que o uso tido como certo
E por me ensinar, eu rezo e lhe agradeço

Cido ...

(Débora Paixão)

selinho



Recebi este selinho, de duas pessoas muito queridas que vivem a sonhar a Lice e a Gláucia. Não sei bem como funcionam essas coisas, mas cá estou tentando. A gente não pode desistir por achar que não sabe e mais, tá tudo explicadinho ... rs

Vamos às formalidades:

1. Fazer referência a quem me ofertou o selo:

2. Qual tipo de chá que mais gosta:
Nem gosto muito de chá, mas de maçã com canela eu até tomo :)
Prefiro capuccino ou cafézinho quente forte e doce...
3. Quantas colheres de açúcar costuma colocar?
Não sei, vou colocando até achar que tá bom ... rs

4. Indicar 6 blogs:


Acho que isso é tudo pessoal, há!
Um beijo.

sábado, 25 de setembro de 2010

Desengano

Desfazendo enganos
Do ano passado
E dos próximos anos
Dez enganos
Em três anos
A beleza passa
E vai passando
Assa e amassa
Primeiro e último plano
E as asperezas
Relevam
E vão revelando
Em alto relevo
No próprio solo
Nossa arte
Em parte terra;
Noutra, Marte.

(Débora Paixão)

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Por trás da verdade disfarçada

Escrevo tanto com a cabeça, que quase nunca uso as mãos. O coração coitado, anda meio analfabeto, ou preguiçoso. Não abre os olhos, se nega ouvir, sentir então... Talvez os calos o tenha endurecido. Nas entrelinhas talvez perceba meu disfarce. Uso isso para negar o que possuo, já que isso é o que trago de mais precioso. Quero carregar sozinha. Mas, não me veja egoísta por isso. Entenda que dói menos. Por doer, talvez eu pareça contraditória, mas não. Não se engane. É o meu disfarce. Eu quero te confundir, antes que me destrua. Não que seja fácil conseguir, é que o mundo ainda gira enquanto a gente dorme e é bem enquanto a gente sonha que o pesadelo acontece.

(Débora Paixão)

domingo, 12 de setembro de 2010

hay que tener cojones

pode tirar o pé da frente
que eu não caio, nem tropeço
a distância entre corpo
e chão, eu sempre meço.

pode tentar me destruir
que a casca é fina, mas de aço
as suas forças só trarão,
mais cedo, seu cansaço.
Débora Paixão

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

.

I
Se a vida eu que faço
desfaço, refaço, embaraço
do cangaço ao cansaço.

Se a mim desconheço
pereço, desmereço, escureço
esqueço meu endereço.

Se o medo é levadiço
mundo movediço, eu iço
pro enguiço meu sumiço.

II
Disfarço, distorço e destroço
Fetos, fatos, fita e foto
De mim, do mundo, de medo

III
Adoço, amargo, salgo, azedo
Traço rotas, retas, metas
Alcanço se quero, não espero

IV
Desespero, não apelo
Pelo charme, mesmo que chame
Amar a mim, mesmo que não ame.

(Débora Paixão)

terça-feira, 7 de setembro de 2010

1 aninho

Hoje o meu blog faz aniverário junto com algumas pessoas muito queridas. Junto com a "Independência" do Brasil... aaah, mas isso foi mero acaso.

O que eu quero mesmo aqui é agradecer todos os meus amigos que me incentivaram a continuar postando e todos os seguidores (ou paraquedistas) que foram aterrissando em terra desconhecida.

Cada comentário, cada crítica, cada novo seguidor, cada acesso ou até mesmo divulgação (rsrs) são para mim a verdadeira motivação. Tenho, por vezes, a mania de ser muito exigente, logo insegura e quando vejo que o que escrevo fez sentido para alguém, passo a acreditar que tem sentido realmente ...

Não é a intenção do meu blog, ser um diário; quem acompanha sabe. Pode ser até que eu apague esse post depois de um tempo. Não tenho hábito de falar de mim, mas HOJE não vejo outra coisa a fazer senão isso.

Muito obrigada mesmo, a todos vocês, de coração.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Pode ser, ou não!

Pode ser que a maldade nasça com as pessoas, mas pode ser também que ela seja aprendida. A bondade também.
Talvez as pessoas gostem de ser más, vez ou outra... e são. Depois fingem que foi sem querer.
É bem capaz que o bem seja feito na maioria das vezes, nem por vontade própria, mas principalmente pela forma com que os olhos do outro passarão a nos ver.
Pode ser que as pessoas gostem de se fazer de vítimas, mas pode ser que elas sejam realmente vítimas de uma coisa ou outra, uma hora.
Talvez o sentimento de piedade seja tão bom que as pessoas procurem algo para terem piedade de si mesmas.
É bem capaz que o desejo de cometer loucuras nos atormente de forma muito frequente, se for comparado ao desejo de fazer o bem.
O bem é ensinado de muitas formas, a loucura se aprende sozinha.
Nem toda loucura é má, mas, na maioria das vezes, submete alguém a algum risco.
Arrisco ainda em dizer que as pessoas que não se arriscam, sentem muito mais desejo de se arriscar.
Desejos não se controlam. Algumas ações sim.
Talvez o ser humano esteja mais para monstro do que belo. Talvez não.
Pode ser que a vida tenha se mostrado mais amarga que doce, para um, para outro, para muitos, para mim ou para você, certamente para alguém.
Talvez o caminho das nuvens seja feito de pedras que machucam ao pisar descalço, mas talvez seja assim que se deve chegar lá, com calos.
Os calos trariam neles histórias para contar. Trariam dores além das físicas.
Pode ser que as coisas sejam mais do que se possa ver, mas pode ser que seja preciso olhar o que está frente aos nossos olhos.
Talvez o mundo precise reaprender a enxergar as coisas, ou as pessoas precisem reaprender a enxergar o mundo, ou até mesmo as coisas, quem sabe até as coisas precisem reaprender a enxergar outras coisas, outras pessoas, outro mundo...


(Débora Paixão)

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Verbo Atemporal

Como a vela que leva a fumaça
ora cinza, ora preta, vagarinho
para longe ...
O seu perfume viaja quilômetros
e chega a mim aos poucos
e fica.
E de sentir a escuridão se esvai
e aquela solidão temida
se retira.
A luz que outrora apagara
até sempre, desde muito antes,
incendia.

(Débora Paixão)

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Sem espaço pra tristeza

Aqui, na minha poesia
Não cabe tristeza
Tampouco na minha vida...
Quiçá em outros textos,
ou noutra freguesia...
Faça as malas e te manda,
Tem gente que de ti precisa.
Eu não quero você aqui,
Nem por perto e nem de vista
Pode pegar a estrada
e se quiser, morra na pista!

(Débora Paixão)

domingo, 25 de julho de 2010

Às vezes, esquece ...

Às vezes quero escrever
E a palavra não vem.
A ideia não desce.
O papel em branco,
Permanece.

Às vezes quero dizer
E o papel se inverte.
A palavra não sai.
Qualquer ideia simples,
Desaparece.

Às vezes queria ouvir
E a ideia escurece.
O papel registra.
A palavra não dita,
Emudece.

(Débora Paixão)

segunda-feira, 12 de julho de 2010

O Pescador



ele pescava na beira do rio
sem nenhum ingrediente secreto
decerto, um peixe lhe sorriu

história de pescador seria
e talvez seja, pois ninguém viu
mas na mente dele permanecia
o sorriso que diluiu.

(Débora Paixão)


* Quadro "O Pescador" da Tarsila do Amaral

quarta-feira, 7 de julho de 2010

não fosse isso e era menos; não fosse tanto e era quase

Se fossemos menos, o que seríamos? Se fossemos mais, seríamos o bastante? E não fossemos?

Se somos o que fomos, o que somos e o que seremos, não passamos de uma montagem.
De partes que nos faltam, por terem quebrado e na hora da colagem não haver mais espaço. Ou como espaços que deixamos propositadamente vazios para encaixar o que esperamos que venha ao nosso encontro, mas sempre tem peças que não encaixam.
Ao que parece, somos buracos, espaços em branco, vazios. E o que fazemos quanto a nós mesmos é juntar todas as nossas partes.
Somos por fim a soma de todos os nossos cacos, nem mais nem menos.
(Débora Paixão)

* o título é obra do poeta Paulo Leminski.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Que seja

E se não restar nada
um dia
Se tudo for para ficar
distante
Que floresça em mim
alguma poesia
Que me reste sequer
um instante
Para pensar no que se foi
e se voltará
Se o meu coração
não condena
E se os versos valerem
a pena
A vida também valerá

(Débora Paixão)

terça-feira, 29 de junho de 2010

Questão de estrutura

Liberte-se da sua fantasia
Porque sua vida é real
Embora não queira aceitar
A vida acontece aqui
Onde vê e sente, afinal.
Rabisca um chão e pisa
Desenha parede e teto
E reforce bem o telhado
Para que dali não escape
Nenhum delírio doente
Nenhum desejo malvado
Devaneio saliente
Tampouco desvairado.
E pare de uma vez com isso
E que seja por todas, esta,
De tentar ludibriar a razão.
Não digo que os fatos explicam
Ou que um dia explicarão
E trazem consigo as verdades
Que extirpam contradição
O que digo é bem o contrário
Digo que o além pode ser visto
Em várias realidades
Por trás daquilo que se mostra
Sem precisar inventar
E leve como lembrete
O que já cansei de falar:
A fantasia não te acolhe!
E embora não tenha notado
Enquanto você pensa que engana
Você que tem sido enganado.

(Débora Paixão)

segunda-feira, 28 de junho de 2010

E então, o que é amor?

Para mim, a definição verdadeira de amor está na Bíblia, em I Corintios 13. Vejo muitas pessoas se enganando em relacionamentos achando que amor é o que mantém, mas sabemos que existem muitas coisas além disso. Amor para mim é algo que supera todos os limites do nosso egocentrismo, embora as vezes nos enganemos por não perceber ou não querer perceber que no fundo não passa de egoísmo. Sim, o amor não é algo inato, e não é algo simples de conquistar. É um processo lento e que exige muito esforço, mas depois que pega o jeito a coisa anda e você se sente maravilhado. É como andar de bicicleta. Amor não é algo que simplesmente acontece, é resultado de investimento contínuo no próximo e em você mesmo.

Débora Paixão

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Amor e Sexo em 40 linhas

01. Sexo é necessidade.
02. Amor também e maior ainda.
03. Muitos se esquivam de amar,
04. Mas precisam se sentir amados.
05. Por alguém específico, por muitos ou por todos.
06. Sexo a gente faz e pronto.
07. Precisa gostar? Amar? Não necessariamente!
08. Amor não é tão fácil.
09. Não se ama qualquer um tão facilmente.
10. Nem mesmo os mais próximos são sempre amados por nós.
11. Sexo e Amor. Amor e Sexo.
12. Por que tanto se discute sobre os dois?
13. Por que sempre os colocam ao lado um do outro?
14. São coisas tão distintas, ora.
15. Dá para fazer sexo sem amor. Mas nem sempre.
16. Dá para amar um parceiro sem sexo? Dá, mas é difícil.
17. Teria como julgar qual é mais importante para nossa vida?
18. O Sexo traz também alguns frutos, que sem amor não resistem.
19. O Amor certamente é fruto de uma série de outras coisas.
20. E onde está a semente destes frutos?
21. Amor com Sexo, parece fácil.
22. Sexo com Amor, parece laço.
23. "Não faça sexo, faça amor!"
24. E isso lá é coisa que se diga?
25. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
26. As duas coisas podem acontecer juntas e é bom.
27. Mas cada coisa em seu lugar.
28. Sexo se faz de várias formas.
29. Existe Amor de várias formas.
30. Se ama pai, mãe, irmão, vizinho, filhos, amigos, colegas de trabalho...
31. Mas não se faz Sexo com todos eles.
32. Existe um limite para o Sexo.
33. Existe algum limite para o Amor?
34. Quando é que não se pode amar?
35. O que você tem feito ou procurado fazer?
36. Muito sexo? Pouco?
37. Tem amado mais do que poderia?
38. Saberia dizer o quanto poderia?
39. E o Sexo? Até onde você aguenta?
40. Qual dos dois o alimenta?

(Débora Paixão)

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Espera aí

Todo mundo odeia esperar, mas quando algo bom acontece a primeira coisa que a gente faz é esperar que aconteça de novo; quando é ruim, a gente espera que não aconteça.
Os otimistas, quando não tem o que esperar, esperam por coisas boas. Os pessimistas, esperam pelo pior. Os realistas, esperam pelo acontecimento mais evidente.
Aqueles que não esperam, só fingem, pois com certeza estão esperando por algo que decididamente não irá acontecer. E o que a gente faz? Espera só mais pouquinho...

Débora Paixão

sábado, 12 de junho de 2010

+ haicais

"de todo mal me liberto
afasto-me do que é bom
me aproximo do que é certo"

"veja como a cortina balança
é só o vento mostrando
a forma como ele dança"

"um poeminha meio torto
saiu meio amassado
de dentro do meu bolso"

(Débora Paixão)

segunda-feira, 31 de maio de 2010

.

voa ALTO
voe
para ver
o que te espera
embaixo
só restam
ossos
debaixo
da terra

(Débora Paixão)

sábado, 15 de maio de 2010

Impasse

De chegar tão longe
Não se sabe ao certo
De onde é que se saiu
Sabe ainda em dúvida
Que não se chegou completo
E que parte já se partiu
Se parte querendo ficar
É melhor então nem ir
Se fica querendo partir
O melhor é que antes vá
Se volta depois de ido
Era melhor que permanecesse
Mas se não tivesse partido
Talvez ficar não quisesse
Só sabe o que quer exato
Depois que o erro acontece.

Débora Paixão

quarta-feira, 5 de maio de 2010

?

O que pensa enquanto insiste?
*
No que pensa quando desiste?
*
Até que ponto você resiste?

Já parou pra ver se isso existe?

Débora Paixão

quarta-feira, 21 de abril de 2010

o que mais se quer

o que mais se quer
não se pode aceitar
aceita-se a tudo então
que não se pode evitar
o que não pode parecer
é tudo aquilo que é
simples pareça o ser
pra não ser o que se quer

Débora Paixão

segunda-feira, 19 de abril de 2010

+ haicais

"com certa estranheza
sua estranha beleza
me leva a loucura"

"tempo de fantasia
de mãos dadas
só amor e alegria"

"a nuvem se enche
a chuva se joga
a janela se fecha e chora"

Débora Paixão

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Vazia até a tampa.

Tem dia que o mundo gira tão devagarinho, que parece parado. Tudo cala. Só se ouve a consciência dizer tudo aquilo que não é hora de dizer. Surge então o tremendo desejo de se ter uma mente surda e muda. Nessas horas são escritos os mais belos textos, as mais belas palavras. Elas vêm de mãos dadas, sorrindo e brincando de roda. Elas vêm daquele cantinho escuro que você evita contato. Daquele buraquinho por onde sai a dor. Quanto maior a dor, maior vai ficando o buraco, até criar um abismo. E as palavras dançantes ficam a bailar dentro dele e não se desgrudam. Cada uma traz um pouquinho de culpa, de tristeza, de ódio, de inveja, de mágoa, de amargo... E nos olhos de todas elas, há sempre uma lágrima prestes a cair, mas elas sempre estão sorrindo, apesar de tudo. Sorriem porque afinal a dança fica bonita. E é bonita porque é triste. Toda beleza é um pouco triste. Há muito que se pensar enquanto se esvazia, mas o desejo é que se esvaziem os pensamentos e que não reste nada. Ser corpo deveria bastar. Para muitos ser corpo basta. A mim ainda restam outras coisas e a maioria fica bem guardada, esperando o momento oportuno de se mostrar. Momentos como esse, talvez ... e o talvez sempre vem tarde, quase foi a última palavra, mas esta quer sempre ser a última, a palavra.

Débora Paixão

sábado, 3 de abril de 2010

O que há?

há quem viva a vida
de maneira despropositada
como quem não sabe
como quem não quer
há tanto que querer
que alguns nem acreditam
no quão doce a vida pode ser
e acaba por assim dizer nem sendo
e quanto amor poderia crescer,
que antes de nascer acabou morrendo?

Débora Paixão

domingo, 28 de março de 2010

subida súbita ...

Subida súbita
De grau em grau,
Degrau
Descida
Decida!
Uma imagem
Do seu olhar em mim
Miragem
Me faz delirar
Viagem ... imagina
A imaginação
Me fere, confere
O movimento
Sinopse de sentimento
No vento inerte
Inverte
E sinta
O sintoma
Que em si
Se assoma
e se liberte.
Débora Paixão

sábado, 13 de março de 2010

pro Cacá

Lembro como fosse ontem você tocando aquele piano, emocionando e eternizando, tudo que registrava aquele momento.
As notas, a paz, o sentimento solto no ar... Aquela carta, aquela dança que você me deu.
As manias estranhas, os "beijos molhados", piadas improvisadas ... aquele riso bobo, aqueles olhares, aquelas caras que só você fazia... milhares de poses pra foto, o seu jogar de cabelo, seu charme.
Tudo que fez foi eterno e intenso. O corpo perece, mas as lembranças e a força de todos aqueles momentos permanecem aqui, comigo e com todos que tiveram o prazer de ter você por uma vida, por uma época, por uma tarde, pois você nunca passou despercebido.
Tanta saudade você deixou comigo e eu sei que eu não posso mais te tocar, te abraçar, mas amanhã, talvez, eu possa. Nunca se sabe...
Agora uma legião de anjos vem te buscar e enquanto você sobe ou fica aí em cima, olhando por todos que ficaram aqui, eu fico ouvindo aquela trilha sonora que você cantava no seu carro, com o vento bagunçando seu cabelo impecável. O mesmo vento que passa por mim agora e toda vez que eu o sentir, saberei que é você me fazendo uma visita.

Débora Paixão

Para eternizar lembranças que não merecem ser esquecidas. Amo você primo.

segunda-feira, 1 de março de 2010

The White Stripes

fiz um convite a sanidade
para ver o quanto ela aguenta
e no balcão entre doses e tragos
retomei o velho hábito de me deixar levar
quando dei por mim já era tarde
a convidada havia se retirado
sem deixar pistas de que esteve ali
a mim havia restado apenas um copo
e parte da bebida esparramada
no ébano que parecia cantar:
"i don't know what to do with myself"
eu ria com myself a noite toda
e minha noite acabou num refluxo
amanheci com a convidada me olhando
com a cara meio torta tentando explicar
que estava pra ir embora de vez
pesava demais ficar pensando
deixei que fosse, e que fosse em paz
nunca fui muito com a cara dela mesmo ...



(Débora Paixão)

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Oração do Amor Desacreditado

"Que Deus entenda o que se passa em mim por meio de tudo que ainda não vivi;
Que Ele nos coloque frente a frente e, vez ou outra, lado a lado, para que olhemos por outros ângulos, a fim de não perder nenhum detalhe;
Que eu possa sempre contar com seu sorriso, ou até mesmo metade dele no cantinho da sua boca;
Que eu sempre me delicie com o seu sotaque;
Que o nosso querer faça acontecer;
E que seja exatamente como a gente planejou;
E que se por algum motivo, algum plano não der certo conosco, que Deus tenha uma outra saída;
Que você perceba o que se passa comigo sem que eu precise dizer;
E que não comente nada, apenas sinta;
Que eu possa enfim acreditar no que dizes;
Que a distância não descarte as possibilidades;
E que não destrua a esperança;
Que a vontade não se perca com o tempo;
E que o tempo não demore tanto a passar;
(a não ser quando estivermos juntos, aí eu quero mesmo é que o tempo pare)
E que por fim, eu saiba esperar e confiar que tudo acontecerá no tempo certo, mas que aconteça;
E que este tempo seja todo nosso, cabendo somente a nós saber quanto vai durar.
Amém"

Débora Paixão

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O Tempo e o Vento sobre mim

Se quiseres saber sobre mim,
pergunte ao vento;
ele levou amores, amigos
idéias, planos, sentimentos...
Ficou só um pedaço de tudo em mim
e o resto foi sendo preenchido
com o passar do tempo.
Perguntar a este faz mais sentido.
Se bem que o passado
já passou há tanto tempo
que talvez ele se engane
ao falar do presente momento.
Some tudo que encontrar pelo caminho,
depois venha me mostrar o resultado;
mas ande logo, vê se não demora...
senão é capaz que eu tenha mudado
ou o vento me levado embora.

Débora Paixão

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Troço estranho

"parece essa tal saudade que falam
que eu nem sei donde vem
uma vontade sei lá de quê
uma série de emoções conflitantes
um querer expressar
e ao mesmo tempo calar
querer fazer e não ter pique
e tirar força para lutar
de um lugar que não conheço
sentir que tudo mudou
e desejar que tudo
volte a ser como era antes
ainda querendo que mude mais...
no comecinho eu bem achei que era doença
mas sei não, olhando de relance
isso me parece um bocado com amor"


Débora Paixão

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Ao mar da mágoa

Enquanto canto
ao mar minhas dores,
minhas alegrias e amores
Todos os sabores passam
pelo meu paladar
Principalmente o amargo
que fica no fundo da garganta
Porque grito e arranho
Sangra ...
O doce na ponta da língua
está em dizer seu nome
em lembrar da sua figura
e ver minha imagem
refletida no seu olhar ...
Penso com infelicidade
na amargura que acompanha
meus passos, meus dias
e então a lembrança
traz novamente aquele gosto
amargo ...
E já não mais sinto pela boca
sinto em todo o corpo
e tudo vai amargando
amar ... amargar
a magoar ando

Débora Paixão

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Nuvem nada



Um dia essa nuvem deságua.
Um dia volta ao seu lugar.
A chuva é o retorno d'água
que cansou de evaporar...
O tempo está fechado,
mas eu decidi me abrir.
Só chuvas insistentes
é que gostam de cair...
Débora Paixão

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

não vale dizer que sabe tudo




Qual o preço das coisas que não foram ditas amontoadas em nó na garganta?

Quanto vale aquele gesto perdido quando já não havia mais nada a se fazer?

Qual o valor do silêncio quando a gente sente vontade de dizer o que não deve?

Quanto se paga pelo perdão que foi dado da boca para fora?

Como a gente sabe a medida da nossa força, sem submetê-la à prova?

Como achar as respostas para isso tudo, sem sensibilidade?
Débora Paixão

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Paulo Leminski em 40 linhas



01. Eu disse uma vez que já aprendi muita coisa na vida, mas esqueci a maioria ...
02. Mas do meu poeta preferido eu quero sempre lembrar.
03. Ele consegue ser crítico, cínico, ácido, engraçado, sarcástico, profundo, doce e brilhante, tudo ao mesmo tempo.
04. "Certezas o vento leva, só dúvidas ficam de pé" ... tão verdadeiro.
05. Sabe aquelas coisas que você sabe e sente, mas não expressa? Ele expressa.
06. Quando você lê, o peso é outro.
07. Ouço a voz dele me dizendo tantas coisas, como minha consciência.
08. "A noite enorme/ tudo dorme/ menos teu nome" ... tanto sentimento, em tão poucas palavras.
09. Hippie, tradutor, judoca, escritor, poeta, pai, marido, bêbado, etc...
10. Uma mistura louca de uma série de coisas que resultaram na essência mais surpreendentemente simples que já vi.
11. "Pelos caminhos que ando/ um dia vai ser/ só não sei quando"
12. "Não discuto com o destino, o que pintar eu assino"
13. "Para que cara feia? Na vida ninguém paga meia"
14. Esse conformismo, essa aceitação, ao mesmo tempo cética diante as certezas e crente no desconhecido, encantam.
15. Tantas coisas ele escreveu que me transformaram que:
se
nem
for
terra
se
trans
for
mar
16. E levo tanto dele em mim, dentro, que um dia estamparei na pele .. 'o mais fundo está sempre na superfície'
17. Eu tinha apenas um ano no ano de sua morte, e só depois de longos anos de sua partida aqui foi que entendi:
18. Lápide 1 - epitáfio para o corpo:
"Aqui jaz um poeta.
Nada deixou escrito
Este silêncio, acredito
São suas obras completas."
19. Lápide 2 - epitáfio para alma:
"Aqui jaz um artista.
Mestre em desastres
Viver com a intensidade da arte
levou-o ao infarte
Deus tenha pena dos seus disfarces."
20. O que ele não sabia talvez é que morreria de cirrose hepática...
21. "Cinco bares, dez conhaques/ atravesso São Paulo/ dormindo dentro de um táxi"
22. Temos muitas coisas em comum ... rs
23. Me inspiro nele para escrever.
24. Acho que foram pouquíssimas as vezes, após tê-lo conhecido, que não pensei nele enquanto escrevia.
25. Talvez isso explique o quanto dele há no que escrevo.
26. "Quando escrevo versos
eles vêm assim
de costas, de frente
de mãos dadas
ou nem vêm.
A rima às vezes aparece,
outras nem também.
Um terço de tudo que escrevo
Fica, os dois outros
vão além ..."
27. Esse eu fiz para ele.
28. Já musicaram tantos poemas dele. Ele já participou de tantas composições. Teve tantas parcerias ...
29. Caetano Veloso, Arnaldo Antunes, Haroldo de Campos, entre tantos outros ...
30. "Nunca cometo o mesmo erro duas vezes, já cometo duas, três, quatro, cinco, seis ... até esse erro aprender que só o erro tem vez"
31. E quem não insiste em erros? Ninguém! E tá errado? ...
32. "Duas folhas na sandália, o outono também quer andar"
33. "Jardim da minha amiga/ todo mundo feliz/ até a formiga"
34. "Soprando este bambu, só tiro o que lhe deu o vento"
35. "Tarde de vento/ até as árvores/ querem vir para dentro"
36. É tanta sensibilidade, que qualquer tentativa de descrição se torna pesado demais, fica o silêncio.
37. "Sou propenso ao silêncio" foi o que disse e disse tantas coisas embora tenha morrido tão cedo ... mas perae ... morrer?
38. "não me toquem nessa dor/ ela é tudo que me sobra/ sofrer, vai ser minha última obra"
39. "moinho de versos/ movido a vento/ em noites de boemia/ vai vir o dia/ quando tudo que eu diga/ seja poesia"
40. "morrer faz bem à vista e ao baço/ melhora o ritmo do pulso/ e clareia a alma morrer de vez em quando/ é a única coisa que me acalma"

E faz 20 anos que ele foi embora, é o que alguns registros mostram, mas todas as palavras dispersas .. que viraram poesia, todo esse sofrimento e dor contidos, como se tudo que escrevesse fosse último, que por fim acalmou... mostram, para mim, que ele não morreu não sô, para mim ele tá andando por aí e vive cochichando no meu ouvido ...
Débora Paixão

domingo, 24 de janeiro de 2010

+ haicais

"tirei uma foto da rua
você apareceu no canto
no ato, revelei teu encanto"

"altas horas
baixa auto-estima
pausa para fazer rima"

"após noites mal dormidas
todos compram de manhã
sonhos de padaria"


Débora Paixão

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

"HOJE eu fico aqui

com VOCÊ
se
comigo ficar
AMOR
depois vou embora

para ONDE for
aqui
você ficará
DOR"

Débora Paixão

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Tarefas Diárias Para Sempre

"(...)
Tenho mais o que fazer:
Vou apagar as luzes de casa
abrir as minhas asas
ir em busca de lazer
Vou lá quebrar aquele muro
que me separa do vizinho
aquele ... que vive sozinho
e respirar um pouco de ar puro
Não vou perder as esperanças
vou brincar de ser criança
e aprender com a inocência.
O mau humor é uma doença.
Vou sair do meu ninho
e aprender a voar
e libertar o passarinho
que me ensinou a cantar."

Débora Paixão