quinta-feira, 9 de junho de 2016

Amanhã seria

O dia amanheceu como se houvesse dúvida
Não sabia o sol se acordava
Ou se a noite não dormia
Meu coração ficou alternando uma melodia de chuva
Há tempos dentro de mim alguma coisa chovia
Alguma coisa que plantei ao pé do seu ouvido
Mas eu não sabia
Talvez no seu pescoço meu fôlego tenha se perdido
E nele ficou esquecido de vez
Pode ser o ar que me falta quando o dia amanhecesse assim
Como se amanhecesse em talvez...

Débora Paixão

terça-feira, 7 de junho de 2016

Vi(n)da para somar

Naquele lugar ali
Bem ali, se via um rio
E nele, a navegar ela vinha
Devagar
Desaguando no mar da vida
- e só Alice sabia

Bem ali, se via Ana
Dali se podia ver
Ela para a vida sorrindo
A vida pra ela a se abrir
Mais uma vida bem vinda
E o mundo de volta a lhe sorrir

Mas o que viria Ana a ser
Depois de tanto esperar?

Se Ana de água fosse
Ana seria mar
Mas se Ana fosse verbo
Ana seria amar!

da titia que espera, ansiosamente, ao lado de Alice, pela vinda de Ana.




Débora Paixão


Observação: Poderia dizer que é uma adaptação de um poema do Paulo Leminski, pois embora não tenha feito sobre ele, há uma semelhança considerável e, por ser fã e tê-lo tanto em mim é capaz que tenha me servido mais do que inspiração. Normal, afinal de tudo que escrevo, nada sei dizer ao certo o que é meu, ou do outro, pois tudo que parece tão meu, na verdade nunca é, e tudo que, mesmo sendo do outro, me toca ... acaba por fim sendo meu também. Decidam por vocês, eu mesma só registro, senão voa com o tempo e se perde...