segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Suplício

Eu queria toda essa lembrança
Largada no meio do mar
Mas as coisas estão guardadas 
No fundo do meu olhar
Se olhar nos meus olhos molhados
É bem capaz de encontrar
Uma carta, um giz, um caderno
Um canto na casa, um canto qualquer
Um isqueiro, uma linha, um cabelo
Um prato arranhado, o cabo torto de uma colher
Um pedaço de algodão
O calor entre as nossas mãos
Um riso de perder o ar
Um duro pedaço de pão
Algumas migalhas de ois e de tchaus
Uma doce desafinação...
Se olhar para dentro de mim
Certamente irá se encontrar
E verá que está mais em mim 
Que o ar que me anda a faltar
Eu queria que todas as coisas
Fugissem rajadas no ar
Mas não posso perdê-las de vista
Pois vazia, eu teria de me reinventar
Eu queria que um anjo descesse do céu
E viesse aqui me salvar
Me levasse para perto de Deus
Pra que eu te pudesse guiar
Mas eu sei que Deus não me tira daqui
Porque algo me falta aprender
E enquanto eu me agarro a você
Minhas pernas... elas não podem correr
Minhas mãos, a cabeça, o peito
Estão todos a se romper
Mas a carta, o pedaço de pão,
O isqueiro, essas eu guardei bem
Não queria essas coisas bonitas 
Lançadas ao vento ou lançadas ao mar
Eu queria voltar no tempo
E fazer tudo certo e fazer você ficar
Eu não te deixaria ir embora, pois saberia onde pisar
Então você me amaria de novo
E em seu peito seria o meu novo lar
Pela primeira vez...
Ou pela última vez.
Apenas uma vez!
Tudo de uma vez?
Era uma vez...

- Débora Paixão

(à Cia Depois do Fim, da Escola Livre de Teatro)

sábado, 30 de novembro de 2013

Saudade tanta

Ai, que saudade da minha avó!
De quando esboroava o peixe pra eu não engasgar com os espinhos,
das suas mãos macias,
do seu colo...
Dá um medo tão grande de entrar naquela casa de novo
e não encontrá-la em sua cadeira na ponta da mesa da cozinha.
Um medo de me deparar novamente com o inevitável...
e eu fico com um nó preso a garganta
e um choro entalado que me sufoca em toda lembrança
que é de cuidado, de amor...
Estranhamente me pego sorrindo entre lágrimas, e com frequência
ao lembrar dos pedidos-não-pedidos e nunca negados
É triste perder uma vó, é tão triste!
Ainda mais uma vó assim...tão plena, tão Isaura!

- Débora Paixão

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Há muito me emociono


há muito que me emociono
não fosse o espanto traumático
da minha vinda ao mundo
lembraria inclusive do meu primeiro pranto
emociono porque respiro
e o ar que me entra pelas narinas
traz lembranças de todo o sofrimento que há no mundo
dos amores e das cores que o vento espalha
enquanto sopra pelas árvores, pelos galhos, pelas folhas
emociono porque a chuva que cai, canta
e canta o choro da nossa incredulidade
que se cala ao notar esta mesma chuva
ao vê-la tocar o chão e transformar a vida
fazendo florir o improvável dos corações endurecidos
há muito que me emociono
porque a vida me toca a pele a pedir que a abrace
como quem abraça sua mãe e não quer largar
porque a vida tem em seu segundo
o instante eterno de um breve sorriso retribuído
emociono porque a vida me traz sorrisos 
que me sorriem mesmo quando não quero
porque por mais que eu tente endurecer
amoleço e desmorono com o vento e seus efeitos
e ainda que o corpo sofra com o tempo
e traga suas marcas, eu trago o ar em meus pulmões
e consigo enchê-los da lembrança disso tudo
e ainda posso, graças a Deus, expirá-lo em poesia
enquanto eu puder fazê-los, então vivo
vivo e me emociono.

- Débora Paixão

domingo, 29 de setembro de 2013

Mente por Mim

Todas as vezes que eu falava
Eu falava muito e me excitava
Mas um segredo que eu não sabia
E por não saber, eu não guardava
É que nisso tudo eu era a chata

E fiz promessas e fiz cobranças
Que no final das contas e transas
Serviram apenas para impedir
O próximo passo da nossa dança

E eu falava e pedia respostas
Que não vinham, porque não tinham
E não tinha o menor sentido de ter

O que eu andava fazendo se misturava
Com o que eu andava sentindo
Mesmo sem saber

E eu não sabia que isso era o fim

Desde o começo pensando
Que tudo estava apenas começando
E se passaram dias, meses, anos
E eu não pude perceber o fim
Pois estendi tanto o começo
E engoli tantos meios
Diretos, alternativos e afins
Que me perdi na nossa história
Criada tão somente por mim...

(Débora Paixão)

sábado, 31 de agosto de 2013

Pele







































"O que mais gosto na sua pele é que ela te cobre por inteiro enquanto eu te descubro aos poucos."
Débora Paixão

sábado, 17 de agosto de 2013

Olhos fechados forçados por um sonho de olhos abertos

A cada dia que passa, a cada pessoa que passa pela minha vida percebo o quanto é preciso além de voz, termos ouvidos.
Não ouvidos para ouvir o que pregam neste mundo doente, mas ouvidos que possam ouvir, além dos nossos direitos, nossas vontades.
Não é viver em busca de reconhecimento, não é preciso piedade. Algumas pessoas querem justiça, querem respeito. Eu faço parte destas.
Vivemos num mundo doente, de uma doença terminal. Estamos além do caos. 
Vivemos num mundo onde pessoas não sabem o que querem, que imaginam querer o que o mundo oferece, mas digo uma coisa, e digo pela minha experiência e de todo meu coração: o que mundo oferece é o vazio. Abrace o que o mundo tem pedido para abraçar e terminará no abismo.
Há frieza nas relações mais próximas, há indiferença nas relações onde se esperava o amparo.
O respeito foi perdido, a cobiça tem imperado e vivemos num mundo carente de sentido. Não pode haver sentido em um mundo que se prende a papéis que nada representam. Vivemos como se tivéssemos que fazer papel de algo que não somos. E muitas vezes fazemos pelo contágio dessa doença.
Qual é o preço que se paga pelo resgate de uma vida que perde o sentido por um mundo inabitável? O peso da moeda que paga o preço equivale a alienação. Aliene-se e então viverá simplesmente bem. Confortavelmente. 
Não posso e me recuso a pagar a moeda que pedem. No meu bolso não, e muito menos no meu peito, serão capazes de encontrar o lixo que sustenta essa doença.
Fecho meus olhos cansada de ver pessoas pagando para ficarem doentes. Para se tornarem doentes crônicos. Fecho meus olhos na esperança de reencontrar e, assim, poder manter meu foco nos meus valores impagáveis.
Não vendo meus direitos. Não vendo minhas vontades. Não me vendo. Há alguém, aqui, que esteja me vendo? Além da foto da identidade e do número do CPF? Além do meu cargo, ou do meu saldo no banco? Há interesse na essência humana? Na vontade de cada um? Na vontade do todo?
Meu apelo é que não se deixem enganar. Que fechem os olhos para encontrar a si mesmos, encontrar suas vontades, as vontades reais. O que somos nós, senão nossas vontades?
Cuidado para não confundir o que é seu, com o que lhe deram, talvez como um presente tentador. Não caiam em tentação. Concentrem-se no que tem feito por si próprios. Saibam que quanto mais se pensa, mais se olha e mais se ouve, mais se sabe!
Saibamos reconhecer-nos como seres dependentes do outro que está doente. E principalmente reconhecer que o outro precisa urgentemente de nós. Ajudem as pessoas a se salvarem. SALVEM-SE! 

- Débora Paixão

terça-feira, 13 de agosto de 2013

O amor é ...



"O amor é uma fonte inesgotável. Quanto mais se aprende a amar, mais se ama. Quanto mais amor se dá, mais amor se tem.
Eu aprendi com uma criança uma lição valiosa: o amor cresce quando o tempo para. Você não vê o tempo passar. Muito embora eles disparem - o tempo e o coração.
Você nota que o amor está no olhar que sorri; no sorriso retribuído; numa mão que pede outra...
E volta a ser criança só para retomar a lembrança de que as coisas são simples; e percebe que aprendeu a complicar.
Então, quando a gente ama, simplesmente simplifica.
E entende, de uma vez por todas, que o amor é única força que realmente te modifica."

- Débora Paixão

domingo, 4 de agosto de 2013

domingo, 21 de julho de 2013

outra cura

peço àquilo que foi minha cura
que seja e que dure
que me cure daquilo que não cessa
que me lança e me arremessa
contra a lança que me fere
peço que me leve e me esqueça
onde posso te encontrar
onde estou vejo o corpo cair
sentindo que vai flutuar
onde vivo vejo raízes
regadas por uma chuva
que cai fora do lugar

- Débora Paixão

terça-feira, 9 de julho de 2013

Moda



Tenho me sentido tão brega, mas não brega cafona, do tipo romântica brega, que tem aquela felicidade brega de personagens caricatos de novela, mas sincera. Ando brega e piegas, na base de ditos populares e hits que marcam épocas. Ando brega de sair girando com os braços abertos por aí, dentro da minha cabeça. Deus, que breguice tamanha incapaz de me amedrontar! Tão e tão somente eficaz na arte de fazer deliciar-me com simplesmente nada demais.
Ando tão brega, mas tão... que nunca me senti tão bem, nem tão linda, nem tão livre!

- Débora Paixão

domingo, 7 de julho de 2013

Cores flores

Tenho me sentido tão bem que as cores já desbotadas do meu rosto decidiram colorir o meu sorriso. Meu semblante anda tão florido e minha alma tão leve e à toa, que as pessoas são incapazes de passar por mim sem retribuir o sorriso que meus olhos lhes ofertam.
Até meu cabeleireiro notou minhas cores, meus tons e minha melodia. "Você está apaixonada" - disse ele como quem lê a mão. E então eu pude responder, pela primeira vez na vida, com toda sinceridade que até então desconhecia: "Ando apaixonada sim, mas pela vida, em si... e só".

E aprendi que isso basta!

- Débora Paixão

sábado, 29 de junho de 2013

Moça do Chapéu


Olhava as coisas a sua volta
Olhava e via tanta vida
Que não dava conta de ver
E cansada se escondia
A moça do chapéu com lenço
Ainda não tinha chapéu
E o Sol às vezes lhe ardia
Às vezes tanto lhe encantava
Que ela cansada, parava
E a admirar até suspirava
Logo depois se escondia
A moça andava e falava
Contava, cantava, rezava
Mas não olhava para dentro
E lá também não tocava
Era lá que ela se escondia
Um dia ganhou um chapéu
E pode sair sob o Sol
Pode ver coisas no céu
E aquilo não mais doía
A moça amarrou um lenço
Pois assim se coloria
E pode sair de casa
E pode sair de dentro
E desprender-se como as folhas
Que voam com o sopro do vento...

(dedicado em agradecimento à J. com carinho)

Débora Paixão

quarta-feira, 12 de junho de 2013

A cura

Ele me arranca facilmente sorrisos distraídos, mas alguma coisa não confere. E quando sinto a imensidão que se abre entre os nossos corpos, mesmo quando colados, viajo para o alto onde posso nos ver de cima e constatar que não é apenas estético, apesar de sermos tão maravilhosamente bonitos. É verdade que sua voz e seus agrados me fazem bem como há muito eu não encontrava, mas não preenche. É um bem que me vem e passa. Corrosivamente. E esse bem que me toma, no final das contas, não tem me enchido nada além do saco.

- Débora Paixão.

domingo, 19 de maio de 2013

Dor

a dor que corta
é a que tira
que aborta
os tons
as notas
a própria poesia

a dor que tenho
não tem nome
nem cara
nem cura
nem vida

é só uma dor morta
que pesa
não pensa
mas pena
inesquecida

- Débora Paixão

domingo, 5 de maio de 2013

Pastel de lenha



Certa vez, quando eu era criança, comentei que queria comer pastel e vó é assim: não pode ouvir essas coisas. Já foi gritando: "Maria, apanha lenha para fazer pastel". Eu, no auge da minha inocência e da minha fantástica imaginação fértil, pensando: "Onde que a vó coloca madeira no pastel?". Não perguntei e esqueci de observar o que faria com aquele arsenal. Então os pastéis ficaram prontos, e enquanto eu me refastelava de tanto comer, sentia o cheiro do fogão a lenha que respondia o meu enigma. Mas decidi, ali cedinho na vida, que o enigma não estava resolvido e que os pastéis da vó eram tão bons, pois neles havia lenha...

Para vó Isaura, com todo o meu amor. ♥

- Débora Paixão (Débinha)

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Para falar das coisas que aprendi

Pensei em escrever um texto das coisas que aprendi na vida, e tentei listá-las para me organizar. E foi aí que aconteceu uma coisa engraçada: todas as coisas que colocava na lista, antes mesmo de passar para a próxima, decidi que não havia aprendido tão bem assim. É isso: de todas as coisas que se pode aprender na vida, a mais dura de todas elas, é certamente reconhecer que nunca se aprende o bastante.
Nenhum assunto é absolutamente dominado pelo conhecimento de alguém. Por mais que se viva, se erre e se aprenda, nunca se erra ou se aprende o bastante, e daí vem a impressão de que uma situação, ou até mesmo uma vida inteira, não foi vivida sequer o suficiente. 
Quantas coisas na vida não foram o bastante? Muitas podem ter sido o suficiente para que entendamos como funcionam, mas nunca o suficiente para aceitarmos que não são como queremos. E queremos mais que o suficiente, pois queremos sempre bastante. E não deveria apenas nos bastar o que cabe num instante?
Tendemos sempre a levar as coisas adiante, e de repente, o corpo vai cansando mais do que se espera pela idade. 
Quanto tempo leva para amadurecermos a ideia de que as coisas, todas, tem início, meio e fim? E que enfim, o tempo de uso está no estalo que a nossa mente sempre percebe e que, na maioria das vezes, o coração é que mente fingindo não perceber e passando a bater mais forte, para que não possamos ouvir mais nada.
Mas nada além do que já não se saiba, das coisas que aprendi na vida, é que sendo ela de apenas uma pessoa não é capaz de mandar recado a terceiros e que as coisas estão para muito além das dualidades.
Toda relação dual, entre o sim e o não, o bem e o mal, o certo e o errado, é na verdade uma coisa só. E por serem todas uma (o que não quer dizer que sejam as mesmas), é que a vida é uma só. E só.

- Débora Paixão

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Vai saber ...

- Por que chora, menina? - perguntou a velha, passando a mão, que cheirava a alvejante, sobre a maçã do meu rosto, a secar um gota que vertia de dentro de mim.
- Não sei bem ... - respondi da forma mais sincera.
- Pois saiba que nem combina, você é tão bonita.
- Sim, é o que todos dizem, mas se quer saber eu preferia mesmo era ter mais força.
Eu sequer havia notado que a velha trazia consigo uma bengala de madeira e tinha os olhos cobertos pela massa branca de nuvem que perturba nela, a vista; em mim, a mente.
- Ora essa minha senhora! Posso parecer indelicada, mas ao que me parece a senhora é ... assim, meio cega, não? - perguntei meio que cheia de coragem.
- Sim, eu sou! E daí?
- Como assim e daí? Acaba de dizer que sou bonita e nem me viu.
- Eu reconheci sua beleza na sua tristeza, minha filha. É que toda beleza é um bocado triste, e você anda tão triste que há de ser muito bela.
- Mas a senhora disse ainda há pouco que beleza e tristeza não combinam.
- Sim, e mesmo as coisas que não combinam as vezes dependem uma da outra.
- Ah, deixa de conversa, a senhora deve mesmo é ter os miolos cozidos, eu hein...
- É lindo ver um passarinho abandonando um ninho não é? O medo e a satisfação do primeiro voo.
- Hmmm - disse apenas para que prosseguisse. Uma hora essa conversa haveria de ter um sentido.
- Então!
- Oxi, então o que?
- O passarinho ABANDONA o ninho. Não percebe? O que o ninho simboliza? Não vê que também é triste?
- Vejo sim, mas ...
- As vezes a tristeza é necessária para gente seguir com a vida, até mesmo a coragem que vem do medo é necessária para sentirmos o quão forte somos. A tristeza pode nos mostrar o quanto podemos ser felizes.
- Faz sentido, mas...
- Sabe, você ainda não me contou por que chorava, menina.
- É que não sei ao certo.
- Então a sua tristeza não é certa também.
- Vai ver que não.
- Mas de onde vem essa agonia, menina? Desde quando?
- Me parece que desde sempre, mesmo quando eu sabia ainda menos que isso tudo ocorreria.
- Então sossegue que passa...
- Passa sim, mas de onde vem essas suas teorias?
- Deste momento.
- Como assim?
- Não sei ao certo...
- Mas como fala com tanta certeza?
- Ora, só posso ter certeza do que dura neste instante.
- Amanhã então...?
- Não sei, ué. Eita, menina, parece que não aprende.
- Acho que não entendo mesmo. Neste instante o que fica, então?
- Só para fazer sentido... neste instante fica tudo o que passou!

(Débora Paixão)

terça-feira, 26 de março de 2013

Olhos

http://weheartit.com/entry/55562857/via/naoki_osaki

seus olhos vorazes
me devoram as palavras
me roubam a fala
e me fitam
sem dizer nada
como se dissessem
tudo o que preciso
depois levam o coração
ao céu da boca
e ainda lhe arrancam o siso.

- Débora Paixão

sábado, 2 de março de 2013

não tem jeito

não tem jeito
eu gosto de você
por mais que...
ainda que...
apesar de...
eu gosto de você
e gosto assim
sem mais nem menos

é que todas as vezes
em que penso em você
eu fico meio...
e bate uma saudade
fininha, fininha
e envergonhada
por não poder sentir

mas o fato é que eu sinto
e não tem jeito
eu sinto que eu gosto
de você, assim
além do ...
além de ...
mim!

- Débora Paixão

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Sem mais

http://weheartit.com/entry/51843779


Se eu eu fechar os olhos me lembrarei exatamente do seu toque
Às vezes quando sonho, posso sentir sua respiração
Como naquele dia em que você fez uma pausa para ajeitar o meu cabelo
Aproximou sua boca do meu ouvido, tomou coragem e disse:
Tenta sentir nesse beijo todo o sentimento que tenho
E beijou minha boca como se não pudesse parar
A lembrança decora um fato que contorna o melhor beijo que já tive
Se eu por um acaso te encontrar na rua, talvez pare
Talvez corra
Talvez morra
Talvez simplesmente passe
Mas eu ainda posso sentir seu perfume como eu sentia no dia seguinte
E posso sentir a força como nos amávamos
Muito embora eu acredite que não era amor
Era pele
Fomos um incêndio capaz de nos devastar
Não sobrou mais nada além do fogo
E ele ainda queima, ainda arde, ainda espera
Para superar expectativas, para matar a saudade
Para devastar mais um tanto
Mais um pouco ... sempre mais!

Sem mais,

Débora Paixão

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

saudade daquele amigo ...


saudade daquele amigo
que brincava de nuvem comigo
que andava de mão dada
com os pés fora do chão
saudade de quando contava
as estrelas, os sonhos
e sequer se incomodava
com a minha falação
saudade de quando olhávamos
sempre a procura de tudo
que não existia fora da imaginação
e fico com o peito apertado
lembrando do amigo amado
amigo amante e namorado
mas principalmente irmão

- Débora Paixão

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Poesia de espera


Desenho de Rafael Alenca


só posso te guardar na minha poesia
para quando a memória estiver cheia
e a cabeça esquecida
é que assim eu te guardo por mais de uma vida

um gole de vinho
um encontro ao acaso
um desenho secreto
e toda lembrança que vem por tópico
vem em flash
como que cheia de brilho
de sussurro, de arrepio

eu vou te guardar na minha poesia
para te ler quantas vezes quiser
e te ter nos meus olhos
ou na minha mão
e onde mais você couber

- Débora Paixão

sábado, 26 de janeiro de 2013

? ...


Paixão eu sei o que significa, mas Débora... hmmmm ... conte-me

Quero ouvir primeiro o que diz por paixão... rs

Hahaha ... Paixão é facil

Cuidado com o que diz! Não sou fácil não rs

Hahahah não sei, mas eu acho que é aquele sentimento bom que a gente sente sempre e depois vai embora. Agora me diga, pra onde você vai?

Buscar um sentimento novo e bom de novo e sempre

Hehe ... Muito bem!

Rs

Paixão não tem q acabar, paixão podia ser pra sempre

Hmmm ta quase saindo um verso rs

Haha Tá mais pra uma cantada barata

Mas se o sempre acaba talvez então ela seja rs.. Ela só dura enquanto a gente deseja

Então não vai acabar mesmo

Rs ... enfim, Débora quer dizer abelha

Olha, que peculiar!

É também o nome de uma profeta

Talvez também explique porque gosta tanto do mé

Hahahahahaha

Ai ai

O fato da abelha ter um ferrão e eu ser apaixonada por psicologia cujo simbolo é um tridente acho que diz alguma coisa ... delas voarem em ziguezague e eu não conseguir andar em linha reta também hahahahaha

Hahahahah

E porque esse seu ai ai?

Suspiro

Pra quem? rs Ou pq? rs

Boca fechada não entra abelha

Hahahahahha, mas ela pode picar você

Aiai

Esse foi de dor rs

Suspiro

Mas você tá muito suspirante rs

Rs aprendi com a paixão... Não é o q a paixão faz com a gente?

...

Conversa entre ? e eu ...

domingo, 20 de janeiro de 2013

Lembrança de Vida que Ainda Anda Viva






















"Sou adepta do bom e velho rock and roll
Desde Beatles, Queen e Rolling Stones
Até Foo Fighters, e por que não Raulzito
Engenheiros do Hawaii e Legião?
Como toda boa paulista
Que guarda um pedacinho de pedra
E uma flor num lado escondido do coração

Mas alguma coisa acontece comigo
E não é quando cruzo a Ipiranga
Com a avenida São João
Alguma lágrima me cai
Quando chora o som do acordeão
Desculpem-me quem acha que traio
Dos paulistas durões a tradição
Mas sou filha de nordestino
Pernambucano, sim senhor!
E dentro de mim cabem alguns mares
Alguns sertões e alguma dor
Da terra de Gonzagão e Dominguinhos
Sanfoneiros por amor
Dali nasceu meu pai, papi ou painho
Devoto de Padim Ciço
Que reza do lado do radinho
Todos os dias ao nosso Senhor

E volto a falar da sanfona
Aquela pela qual choro um choro
De tanta beleza e encanto
Que fala a voz de um povo
Que é meu também, mas nem tanto
É que assim como o resto do povo
O Nordeste, cantinho querido
Tem vivido um tanto esquecido
Que de cima embaixo fica no meio
E de uma ponta a outra, no canto
E ficam lá a beleza e a dor
Esquecidas
E digo que o mau esteja aí, talvez
Deste esquecimento todo, talvez
Venha o mau humor e a tez franzida
Ranzinza e com altivez
Se o povo visse e ouvisse
Os "visse" e os "oxente"
E pudesse sentir o que esta gente
Nos diz com sofrida voz
O mundo estaria mais rico
E o Brasil seria lembrado
De sua própria história e cultura
Sem ter que pegar emprestado

De Garanhuns, cidade das flores -
A Palmeirina, onde painho
Nasceu e foi criado
Que conheci de visita
Num tempo longe e apressado
Lembro somente do clima
Lembrança minha de menina
Que aos 7 anos atravessou o Brasil
Num ônibus por 3 dias
Para chegar lá do outro lado
E conheci voinha e voinho,
Que depois de um ano se foi
Visitar a Deus do céu sozinho
E acredito que deva ter gostado
Pois ele não voltou mais
Voinho já ia cansado

E dessas lembranças que tenho
Eu guardo umas histórias embaçadas
Que a TV, e meu pai me recordam
Lampião e Maria Bonita, o cangaço
O mandacaru, o baião, o xaxado
E lembro mesmo é da sanfona chorando
E o povo sorrindo e dançando
Naquele clima abafado
Mas lembro sempre sorrindo
Com um choro contido
E um nó apertado - cá dentro do peito
Peito que sabe do choro
Do esquecimento, da dor, da poeira
Da sujeira do pé descalço
Mas ela chora de bonita que é
Mostrando o que o Nordeste é:
O canto mais próprio, mais puro
Que não copia e nem quer
E que pede ao Sol todo dia
Que a pele não queime tanto
Que a gente se lembre no futuro
De toda história e beleza
Que a sanfona chorona nos lembra
Sempre, através do seu pranto"

à meu pai, Diomar, com carinho

Débora Paixão


Fotografias de Gian Fernandes
https://www.facebook.com/GianFernandes.Photo.Art

Obrigada Gian :)

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

e tenho dito

o que sinto é indizível
embora queira dizer
que um dia fora insentível

e não sentir o que eu
não mais sentir eu
não sentir mais
não mais o meu
nem o teu

e eu sentiria algo
se pudesse lhe dizer
que achei sequer um sentido
no que acabei de escrever

- Débora Paixão




quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

ADIVINHA


vou pousar em você
o meu corpo
mas vou pousando
aos poucos
me pondo em ti
aos pedaços
te por pra cima
e pra baixo
ou do lado
onde melhor me encaixo
vou tapar seu olhos
e cobrir sua boca
com minha vontade louca,
de cobrir-te inteiro
vou espalhar-me
por todo canto
e pelo meio
há de sobrar uma parte sua
que ainda não conhecera a minha
mas é apenas ainda
e direi em seu ouvido
encostando-lhe a ponta da língua
o que não falarei agora
para ver se você adivinha...

- Débora Paixão