segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

MANIFESTO

você estava lá
guardado com a saudade
apertado no meu peito
aqui no meio
e mais pro canto
e o meu canto 
que outrora era 
de primavera feito
partiu longinquo
semitonando
semisumindo
e você lá
me seduzindo
em toda lembrança
que vinha de caça
de casa
de vinho
de dança ...
de tudo que hoje
minha mão não alcança

você estava lá
apertado e sem defeito
guardado como pude
e o cheiro do seu perfume
permanece do mesmo jeito
que jeito de dar voz
novos timbres 
novos tons
às cores que desbotaram
por quem não mais
borra os meus batons
como cantar
e tirar dos pulmões
o ar que você me tirou
com o chão?
como sentir-me leve
se pesa o mesmo
que a consciência
o buraco no coração?

- Débora Paixão


imagem: www.weheartit.com

10 comentários:

Annapurna disse...

Me parece tão igual, só que não conseguiria expressar tão lindamente!

disse...

Tudo por aqui é tão leve...

Eu me vi nas linha de teus escrito, mas jamais conseguiria expressar de forma tão serena!

:)

Branna L. disse...

Você arrasa, ogra!

Incrível este!

Anônimo disse...

Sensacional! Sem mais!

Anônimo não-anônimo

Mao Punk disse...

É como se tudo o que você sentisse rimasse. Acho que esse teu peito não bate, declama!

Paixão disse...

Eu também gostei bastante desse! rs

Obrigada meus caros ...

e Mao Punk, acho que a rima é uma das coisas mais naturais em mim.. tento fugir às vezes, mas em todo poema, ou até texto, sempre tem pelo menos um verso que rima, chega ser esquisito! rs

beijos

Glauber Marinho disse...

"permanece do mesmo jeito
que jeito de dar voz"

ééé...de todo jeito do mesmo jeito...

=)

=o*****

Carlos Cruz disse...

Concordo com o Mao, eu acho suas rimas muito envolventes!
Esse acho que daria música... só um palpite rs

Abraço!

Paixão disse...

Eu não tenho dom pra música amigos :(

e isso muito me entristece rs

Mateus Borba disse...

As palavras gostam de você porque você é assim, linda desse jeito inteiro. E por tudo isso você faz essas poesias tão imensas, e por tudo mais que a gente não lê.

Muito bom ler esses pedaços de você que viram versos.

Beijos.