sábado, 9 de abril de 2016

Nasci sob um corpo pensado por mim antes mesmo de sequer poder pensá-lo
Tocá-lo então, era uma proibição que antecedia, inclusive, o pensamento.
Diziam-me as vozes:
Cubra-se! Vista-se! Comporte-se! Feche as pernas! Abra a boca!
Sorria! Agradeça! Peça desculpas! Não chore!
Deram-me tantas ordens... Tornei—me ordinária.
Por vezes, os interrompia ao passo que rompia o silêncio forçado ao qual fui submetida.
Hoje, faço! Abro! Enfio! Esfrego! (...) Toco! Engulo! Cuspo! Gozo – e gosto!
Não me culpo nem os desculpo.
De olhos arregalados, hoje, olham para o meu despudor.
É verdade, eu sei, explodi.
Ou talvez, só tenha gozado disso tudo.
Quebrei, pois a lei do silêncio e não mais calei-me 
Pelo contrário, gemi, gritei, enfim ejaculei-me.

Débora Paixão




5 comentários:

Mao Punk disse...

"Não me culpo nem os desculpo". Você: forte e liberta! Você: sempre incrível! Continue a ejacular-se em vida e poesia! <3

Mateus Borba disse...

Poema fortíssimo e necessário.

Digo Zion disse...

Você tem uma sensibilidade incrível para escrever, cativa e emociona a quem se atreve a ler.
Sou seu fã =)

Paixão disse...

Mao e Mateus! Meus fiéis companheiros de jornada poética, é sempre tão bom vê-los aqui! Meu coração se enche de alegria! Essa poesia foi dureza! Obrigada por serem e estarem!

Beijos

Paixão disse...

Obrigada Digo! Fico lisonjeada! Beijo :)