Guardei em mim todas as palavras que você não disse.
Guardei numa caixinha as flores e as centenas de cartas que você não me enviou.
Guardei em minha memória a cena daquele encontro que quase aconteceu naquele dia que nunca chegou.
Guardei o tom desafinado da sua voz cantando aquela música que você até disse que cantaria, mas não cantou.
Guardei em meu coração a forma apaixonada como você nunca me olhou, fantasiando um romance que nunca aconteceu fora da minha imaginação.
De seda fiz-me trapo, feito saco de estopa, para guardar todas as feridas de lembranças doces que a partir da fome não tiveram outra saída senão transformarem-se em espinhos.
Guardei para um dia quiçá mostrar-te quem poderia ter sido, onde poderia ter chegado, não fosse seu hábito de comentar como são claros os meus olhos, ao invés de olhar o que estavam por trás deles...
- Débora Paixão
(Provavelmente esse texto foi feito em 2008...rs Achei-o recentemente durante a reforma do meu quarto, no meio de uma caixa de livros)
9 detalhes:
Guardou tão bem, que encontrou agora,
Guardou tão bem, que mesmo que não tivesse achado, essas sensações seguiriam contigo, para todo o sempre,
Bjkas
Bem capaz Alê ...
Obrigada por entender! rs
Beijos
Que lindo, Débora :)
Gostei tanto!
Gosto muito das coisas que escreve... E passeio por aqui lendo o que perdi!
Bjo :*
Umas das coisas mais lindas que vi por aqui. É tão belo [ apesar de assustador ] sofrer pelo que nunca existiu, pelo que fantasiamos e/ou até almejamos muito. É um belíssimo texto, daqueles que emocionam, e me lembrou Neruda - que é o meu poeta favorito. Parabéns, querida Débora! Continue!
Guardei em meu coração a forma apaixonada como você nunca me olhou.
(Era pra ser...)
SAUDADE melancia.
Que bom que achou, merece ser lido. Merecemos lê-lo.
E que maldade a sua ter guardado por tanto tempo.. Tava com saudade daqui.. ^^
Lindo!
Eu também encontro textos meus perdidos entre meus papéis. Às vezes me deparo com alguns dos quais nem me lembrava mais.
Parabéns pelo blog!
Beijo
Obrigada gente! Beijos
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