terça-feira, 15 de dezembro de 2009

...

É triste sentir-se sozinho na multidão.
Encontrar-se cercado de estranhos
Que andam por caminhos vários
Todos sem rumo, sem direção.
E você lá, bem lá no meio deles
Andando a esmo, sem se importar
Com quem, com tempo, com lugar...
Sem ter com o que se preocupar,
Nem alguém que se preocupe
Se você está bem, se está doente...
Não há razão que se desculpe.
Sabe aquela solidão sentida diariamente,
Que cava lá no fundo, dentro da gente,
Criando um abismo tão profundo,
Que chega ao lado de fora dolorosamente,
Deixando-nos a sós com tudo que sobra,
Com todas aquelas coisas que nos resta?
Revela a busca pelo amor que não se aflora
Por viver um aniversário sem festa.
Ausente da presença de alguém que possa
Te libertar de tudo aquilo que o aprisiona...
De tudo aquilo que sempre vem à tona.
O medo, a vaidade, as velhas mágoas,
O orgulho, a saudade, os seus princípios...
Tudo aquilo que pela alma deságua
E contribui para o nosso isolamento
Das pessoas, do mundo, das cores
De tudo, e sobretudo, de nós mesmos.

Débora Paixão

3 comentários:

Anônimo disse...

Deh, todos sentimos muitas vezes na vida essa solidão na multidão, esse estar só no mundo. Mas, poucos têm a sensibilidade para extrair daí a poesia e a expressar com tanta propridade. É muito gostoso ler as coisas que você escreve.

Gutemberg Soberano

Paixão disse...

Obrigada Gutem, mas não se deixe enganar! rs

:)

Mariana Romão disse...

Muito lindo seu blog, suas poesias. Escreve muito bem! Abraços, Mariana.