terça-feira, 7 de setembro de 2010

1 aninho

Hoje o meu blog faz aniverário junto com algumas pessoas muito queridas. Junto com a "Independência" do Brasil... aaah, mas isso foi mero acaso.

O que eu quero mesmo aqui é agradecer todos os meus amigos que me incentivaram a continuar postando e todos os seguidores (ou paraquedistas) que foram aterrissando em terra desconhecida.

Cada comentário, cada crítica, cada novo seguidor, cada acesso ou até mesmo divulgação (rsrs) são para mim a verdadeira motivação. Tenho, por vezes, a mania de ser muito exigente, logo insegura e quando vejo que o que escrevo fez sentido para alguém, passo a acreditar que tem sentido realmente ...

Não é a intenção do meu blog, ser um diário; quem acompanha sabe. Pode ser até que eu apague esse post depois de um tempo. Não tenho hábito de falar de mim, mas HOJE não vejo outra coisa a fazer senão isso.

Muito obrigada mesmo, a todos vocês, de coração.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Pode ser, ou não!

Pode ser que a maldade nasça com as pessoas, mas pode ser também que ela seja aprendida. A bondade também.
Talvez as pessoas gostem de ser más, vez ou outra... e são. Depois fingem que foi sem querer.
É bem capaz que o bem seja feito na maioria das vezes, nem por vontade própria, mas principalmente pela forma com que os olhos do outro passarão a nos ver.
Pode ser que as pessoas gostem de se fazer de vítimas, mas pode ser que elas sejam realmente vítimas de uma coisa ou outra, uma hora.
Talvez o sentimento de piedade seja tão bom que as pessoas procurem algo para terem piedade de si mesmas.
É bem capaz que o desejo de cometer loucuras nos atormente de forma muito frequente, se for comparado ao desejo de fazer o bem.
O bem é ensinado de muitas formas, a loucura se aprende sozinha.
Nem toda loucura é má, mas, na maioria das vezes, submete alguém a algum risco.
Arrisco ainda em dizer que as pessoas que não se arriscam, sentem muito mais desejo de se arriscar.
Desejos não se controlam. Algumas ações sim.
Talvez o ser humano esteja mais para monstro do que belo. Talvez não.
Pode ser que a vida tenha se mostrado mais amarga que doce, para um, para outro, para muitos, para mim ou para você, certamente para alguém.
Talvez o caminho das nuvens seja feito de pedras que machucam ao pisar descalço, mas talvez seja assim que se deve chegar lá, com calos.
Os calos trariam neles histórias para contar. Trariam dores além das físicas.
Pode ser que as coisas sejam mais do que se possa ver, mas pode ser que seja preciso olhar o que está frente aos nossos olhos.
Talvez o mundo precise reaprender a enxergar as coisas, ou as pessoas precisem reaprender a enxergar o mundo, ou até mesmo as coisas, quem sabe até as coisas precisem reaprender a enxergar outras coisas, outras pessoas, outro mundo...


(Débora Paixão)

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Verbo Atemporal

Como a vela que leva a fumaça
ora cinza, ora preta, vagarinho
para longe ...
O seu perfume viaja quilômetros
e chega a mim aos poucos
e fica.
E de sentir a escuridão se esvai
e aquela solidão temida
se retira.
A luz que outrora apagara
até sempre, desde muito antes,
incendia.

(Débora Paixão)

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Sem espaço pra tristeza

Aqui, na minha poesia
Não cabe tristeza
Tampouco na minha vida...
Quiçá em outros textos,
ou noutra freguesia...
Faça as malas e te manda,
Tem gente que de ti precisa.
Eu não quero você aqui,
Nem por perto e nem de vista
Pode pegar a estrada
e se quiser, morra na pista!

(Débora Paixão)

domingo, 25 de julho de 2010

Às vezes, esquece ...

Às vezes quero escrever
E a palavra não vem.
A ideia não desce.
O papel em branco,
Permanece.

Às vezes quero dizer
E o papel se inverte.
A palavra não sai.
Qualquer ideia simples,
Desaparece.

Às vezes queria ouvir
E a ideia escurece.
O papel registra.
A palavra não dita,
Emudece.

(Débora Paixão)

segunda-feira, 12 de julho de 2010

O Pescador



ele pescava na beira do rio
sem nenhum ingrediente secreto
decerto, um peixe lhe sorriu

história de pescador seria
e talvez seja, pois ninguém viu
mas na mente dele permanecia
o sorriso que diluiu.

(Débora Paixão)


* Quadro "O Pescador" da Tarsila do Amaral

quarta-feira, 7 de julho de 2010

não fosse isso e era menos; não fosse tanto e era quase

Se fossemos menos, o que seríamos? Se fossemos mais, seríamos o bastante? E não fossemos?

Se somos o que fomos, o que somos e o que seremos, não passamos de uma montagem.
De partes que nos faltam, por terem quebrado e na hora da colagem não haver mais espaço. Ou como espaços que deixamos propositadamente vazios para encaixar o que esperamos que venha ao nosso encontro, mas sempre tem peças que não encaixam.
Ao que parece, somos buracos, espaços em branco, vazios. E o que fazemos quanto a nós mesmos é juntar todas as nossas partes.
Somos por fim a soma de todos os nossos cacos, nem mais nem menos.
(Débora Paixão)

* o título é obra do poeta Paulo Leminski.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Que seja

E se não restar nada
um dia
Se tudo for para ficar
distante
Que floresça em mim
alguma poesia
Que me reste sequer
um instante
Para pensar no que se foi
e se voltará
Se o meu coração
não condena
E se os versos valerem
a pena
A vida também valerá

(Débora Paixão)